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"Têm cada vez mais gente e vão continuar a crescer"

"Têm cada vez mais gente e vão continuar a crescer"

"Os caminhos de Portugal para Santiago são bons e recomendam-se". Quem o afirma é Custódio Oliveira, membro da Associação Teatro Construção de Famalicão, que já percorreu vários trilhos até à cidade espanhola nos últimos 15 anos. "Já andei mais de três mil quilómetros nos caminhos de Santiago... já são muitas botas!", recordou o caminhante de 66 anos, que não descuida a "grande preparação física" necessária para tais desafios.

Com tamanha experiência, Custódio consegue traçar o panorama geral dos diferentes percursos que ligam pontos de todo o país a Santiago de Compostela. E, de uma forma geral, a perspetiva é boa. "Os caminhos portugueses funcionam bem. Não estão sobrecarregados e têm possibilidade de ter mais gente, sem chegar às preocupações do caminho francês, por exemplo", explicou o membro da associação cultural, que é organizadora de caminhadas pelos vários percursos.

O "problema" do caminho de França, assegura Custódio, é "ter pessoas a mais". "Notam-se algumas dificuldades. É o caminho mais percorrido e há dias em que há gente a mais", confessou, avisando que o mesmo pode acontecer em Portugal, no futuro. "Os caminhos têm cada vez mais gente e vão continuar a crescer, porque estão muito longe de estabilizar. É um fenómeno", afirmou.

Sobre a questão de logística e alojamento para tantos peregrinos, o caminhante acredita que "o Caminho Português se vai autoalimentando". "Fazem-se albergues que ficam esgotados, mesmo em períodos de inverno. Estão sempre a surgir respostas e muitos interessados. Hoje os albergues não são suficientes e nascem alojamentos não oficiais e complementares", conclui.

Mas, afinal, o que leva tantas pessoas a fazer os caminhos? Para o experiente caminhante, a resposta está na "relação humana". "Os caminhos são de relação. Com a natureza, que está sempre lá; com os outros, porque se fala com toda a gente; relação introspetiva, a nível espiritual; e relação com o património histórico, com o nosso passado. São formas de vida que entusiasmam quem os faz", disse Custódio, garantido que "quem vai uma vez, quer ir mais".

Caminho da Costa "evoluiu bastante"

Além do Caminho Central, que passa por São Pedro de Rates até Valença e é o mais percorrido, também o Caminho da Costa, que segue pelas marginais de Esposende, Viana do Castelo e Caminha, "tem evoluído bastante". Tanto que se tornou "uma loucura". Assim o descreve José Manuel Gonçalves Araújo, vice-presidente da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana do Castelo. Recusando a ideia de se tratar de "uma moda", o responsável do grupo fundado em 2004 explica que "todos têm trabalhado e isso tem dado frutos".

Depois de realizar um estudo sobre a sinalética do Caminho da Costa, de Castelo de Neiva até Valença, os membros da associação perceberam que "há cada vez mais peregrinos", o que também chamou o "interesse das câmaras municipais", mas pela "parte económica", explicou José Araújo.

Olhando ao estado atual do caminho, o responsável assumiu que "está minimamente bem sinalizado, embora os critérios das entidades privadas ao fazerem desvios criem alguma discórdia". "Às vezes vemos peregrinos perdidos. Fazem sinalética sem coerência".

Apesar de ser um "caminho agradável", falta abrir "mais albergues" e criar "mais associações". Pois a partir do momento em que o caminho "começou a ser divulgado", começaram a "aparecer muitos estrangeiros de países que não têm mar, sobretudo alemães e polacos", concluiu José Araújo.

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