Regata Barcos Rabelo

Corrida contra o tempo salvou barcos rabelos

Corrida contra o tempo salvou barcos rabelos

Os barcos rabelos foram concebidos para uma função muito específica: transportar os barris de Vinho do Porto desde o Alto Douro até às caves situadas em Vila Nova de Gaia. Regata vital para a manutenção deste património duriense.

O ano de criação das embarcações não está exatamente definido nos compêndios de história, sabendo-se que foi no ano de 1792 que a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro fez publicar os alvarás que concederam identidade própria a estes barcos, parte integrante da criação do Marquês de Pombal. Entre as décadas de 1960 e 1970, vergados ao peso da corrida desigual com os caminhos de ferro, os barcos rabelos estavam próximos da extinção física e já pouco restava destas relíquias. Por esses dias, os desolados estaleiros na ribeira de Gaia davam bem a ideia do trabalho que havia para fazer em termos de recuperação deste património.

Como refere Isabel Marrana, diretora da Associação das Empresas de Vinho do Porto, "os barcos rabelos estavam a desaparecer e foi lançada a ideia de fazer uma regata com todos os barcos rabelos então disponíveis, que eram só quatro. Houve o propósito de fazer uma celebração daquele que é um dos símbolos do Vinho do Porto e isso teve desde logo muito êxito. Nos primeiros dez anos de regata (que decorre amanhã) verificámos que a maioria das casas construiu barcos rabelo".

Como recorda António Vasconcelos, membro da Comissão Técnica das Regatas dos Barcos Rabelo, "nas primeiras regatas os barcos eram um bocado velhos e só havia da Ferreira e da Cálem". A Cockburn construiu o primeiro barco rabelo dos tempos modernos e essa foi "uma forma de preservar a vida dos barcos rabelos", acrescenta. Vida essa que chegou a estar em perigo anos depois: "numa das noites de S. João, um dos balões caiu no telhado da casa da Cockburn e provocou um incêndio que durou até às seis da manhã. A casa acabou por não participar na corrida..." A noite é de muitos perigos e hoje em dia as cautelas são redobradas, para prevenir sobressaltos. São as casas produtoras de Vinho do Porto quem arca com as despesas de conservação do património. Os 12 mil a 15 mil euros anuais que custa a manutenção dos barcos rabelos não são "chorados" mas, afiança Isabel Marrana, "nunca houve um cêntimo de incentivo para um evento que também é património cultural".

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