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Restituir à cidade e ao mundo a abandonada Torre dos Clérigos

Restituir à cidade e ao mundo a abandonada Torre dos Clérigos

Ninguém sonha a degradação que há no edifício mais emblemático do Porto. Poucos lhe adivinharão as potencialidades. Perspectivando o 250.º aniversário da Torre dos Clérigos, a irmandade quer promover não apenas o restauro, mas o reencontro com a cidade.

Américo Aguiar, vigário-geral da diocese portucalense, conhece bem o património da Igreja, mas não sonhava com o que ia encontrar quando, em Fevereiro último, foi eleito presidente da Irmandade dos Clérigos. Lixo, degradação, obras inacabadas, pavimentos apodrecidos, mais lixo, pó secular obscurecendo os elementos artísticos, abandono, desperdício total de um espaço que pode abrir-se à cidade. Fala na necessidade de "uma vassourada", mas percebe-se que falta muito mais. Mas não faltam ideias, sendo necessário pôr mãos à obra para fazer o máximo com o menor custo até 2013.

Aos olhos do visitante há ali, apenas, dois espaços: a igreja, visitável a custo zero, e, claro, a torre, com os seus 225 degraus (os últimos não estão acessíveis), que podem ser vencidos com força nas pernas e com o peso da carteira aliviado em dois euros. Porém, o edifício é muito mais do que isso, desdobrando-se num labirinto que percorre as zonas de residência e as originais enfermarias para os clérigos pobres.

Não se trata de recomeçar do zero, mas quase. "A instituição desencontrou-se", diz o padre Américo, explicando que a vocação assistencial começou a esgotar-se nos anos 60 do século passado, quando os padres diocesanos se uniram na Fraternidade Sacerdotal, agravando-se, depois, quando o clero passou a fazer descontos para a Segurança Social.

Muitas ideias brotam quando se olha para aqueles "três pisos de salas, salinhas e saletas". Dedicar um espaço a Nicolau Nasoni (ver caixa), cuja importância para a cidade e para o país não se traduz em qualquer espaço visitável de características museológicas, criar espaços para exposições temporárias ou conferências, cedência de espaço para a instalação de um posto de turismo... "Ainda não chegámos à fase de saber quanto dinheiro vamos gastar", explica Américo Aguiar, notando que está a fazer-se um primeiro levantamento, em cooperação com a Direcção Regional de Cultura do Norte. E falta ainda perceber até que ponto as ideias que as ideias são exequíveis.

Fundada em 1642, com aval da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a instituição começou por se chamar Irmandade de Nossa Senhora da Assunção, S. Pedro ad Vincula e S. Filipe Nery de Apoio aos Clérigos Pobres, resultando da fusão de ordens antes existentes. Ora, tendo emanado da Misericórdia, a mais poderosa irmandade da cidade (que tinha uma secção de apoio aos clérigos pobres), foi com ela que, simbolicamente, se firmou o primeiro protocolo, no âmbito de todo este processo.

O município, o Estado, a Universidade do Porto e mecenas, individuais ou colectivos, serão parceiros a abraçar futuramente. A exemplo do que foi feito com a visita de Bento XVI à cidade, em que parcerias diminuíram radicalmente os custos, querem os Clérigos renascer, não apenas na vertente religiosa, mas como espaço aberto à cidade e com aproveitamento turístico renovado.

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