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Festival Repara Valongo promove a sustentabilidade e reutilização junto de alunos dos cursos profissionais

Festival Repara Valongo promove a sustentabilidade e reutilização junto de alunos dos cursos profissionais

A Câmara Municipal, em parceria com os agrupamentos de escolas do concelho e a Universidade do Porto, organiza até este sábado, no Largo do Centenário, o Festival Repara Valongo, iniciativa que visa promover os princípios da sustentabilidade e da reutilização junto dos alunos dos cursos profissionais.

A autarquia de Valongo instou os alunos dos cursos profissionais a terem uma participação mais ativa junto da comunidade e a colocarem em prática os conhecimentos adquiridos sobre a reparação e reutilização de bens, em vez de os substituírem por novos, sensibilizando a população para a importância da sustentabilidade e da potencialização dos recursos locais.

"Este é o culminar das atividades que tivemos neste ano letivo de 2018/19 e que se chama Festival Repara em Valongo. Repara de ver com atenção e repara de arranjar e reutilizar, no sentido de termos um mundo mais sustentável e de alertarmos as camadas mais jovens, e a partir destes chegarmos aos mais velhos, para a importância das questões ambientais, da grande necessidade e urgência de reutilizarmos e de não sermos consumistas em excesso", explica Olga Almeida, professora de Inglês na Escola Secundária de Valongo e uma das coordenadoras do projeto, em colaboração com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

O objetivo desta atividade é colocar "os cursos profissionais ao serviço da população, embora as pessoas não estejam muito habituadas a esta prática". "Os alunos de informática e de eletrotécnica para além de repararem tudo o que é necessário dentro da própria escola, podem ainda fazer a reparação de pequenos eletrodomésticos, pois também ainda não têm capacidade para fazer mais", avança a docente, anotando que, no âmbito desta iniciativa, "a Lipor colocou um desafio muito interessante, pois vai equipar e dar apoio às escolas para que os alunos consigam reparar eletrodomésticos maiores".

Para Olga Almeida esta nova forma de aprendizagem "é importante em todos os sentidos". "Em primeiro lugar porque a vida é muito mais interessante que os manuais, toda a gente quer resolver e melhorar a sua vida, mas para isso tem de aprender a ver onde estão os problemas, a pensar criticamente o que é que quer e a ter uma atitude mais transformadora em relação à sociedade", justifica a professora de Inglês, continuando: "Muitas vezes a escola fica muito fechada sobre o conhecimento, que é seguramente fundamental, mas é muito importante que os alunos percebam que esse conhecimento é fundamental para que sejam cidadãos ativos e transformadores e para que estejam atentos e possibilitem que tenhamos uma vida mais justa a todos os níveis. Este ano estamos a trabalhar na parte do ambiente, sempre com uma perspetiva otimista, para que os alunos percebam que há sempre alternativas".

A iniciativa destinou-se a alunos do 7.º ao 12.º ano, embora o festival se tenha centrado sobretudo nos cursos profissionais (10.º ao 12.º anos) de Técnico Administrativo, Técnico de Desporto, Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores, Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Técnico de Operações Turísticas, Técnico de Restaurante/Bar, Técnico de Turismo, Animador Sociocultural.

"São os cursos que estão mais vocacionados para a vida ativa e o desafio que lhes propusemos foi dentro das profissões e atividades deles o que poderiam fazer para contribuir para a sustentabilidade e para uma sociedade melhor. Cada curso, desde o de Turismo, passando pelo de Cozinha ou de Eletrotécnica, refletiu na forma como poderiam tornar a sua atividade sustentável", completou Olga Almeida.

A ligação das escolas de Valongo à Universidade do Porto foi feita através de Rita Ribeiro, coordenadora do projeto "Utopia 500", do Centro de Investigação CETAPS da Faculdade de Letras. "Esta iniciativa insere-se no projeto de extensão universitária, em que abrimos as portas das faculdades e fazemos ciência para a sociedade. Em 2016 celebramos um protocolo com a Câmara Municipal de Valongo, com um projeto Cidade Utópica e desde então temos vindo a promover imensas atividades, sobre diversos temas. Uma delas, que nos é muito querida, é a Ecotopia, que tem a ver com a defesa dos valores da sustentabilidade e da reutilização, que é o que estamos a fazer no Festival Repara Valongo", refere a professora universitária.

Os 'workshops' e atividades foram idealizados e concretizados pelos estagiários do Erasmus+, oriundos de "variadíssimos países e diferentes cursos", e versaram temáticas sobre "género e sustentabilidade, ativismo ecológico, a pegada ecológica" destinadas a crianças e jovens do concelho.

"Desde 2015 são já 84 os alunos que vieram fazer os nossos estágios profissionais, e se propuseram a promovem workshops, sessões de cinema, a fazer todos os materiais de publicidade e divulgação das atividades e vídeos", salienta Rita Ribeiro, anotando que esta interação não abrange apenas "os alunos do ensino secundário, mas desde o primeiro ano até ao 12.º Ano". "Do 1.º ao 4.º Ano arranjamos estagiário que sejam portugueses ou que saibam falar a língua. Já tivemos uma estagiária espanhola, galega, que esteve a promover um workshop para os meninos sobre a promoção e revitalização da Parque das Serras do Porto, nomeadamente as de Valongo. Fez todo o tipo de atividades com as crianças. Com os mais velhos são workshops que já se adaptam à faixa etária em áreas de formação dos nossos estagiários", explicou a coordenadora do projeto "Utopia 500".

No âmbito deste programa que visa criar cidades mais sustentáveis, Rita Ribeiro alerta que "não existe planeta B". "Por isso, cada vez mais, temos de ficar conscientes deste tipo de problemáticas e que poderá haver um efeito em cadeia de despertar o interesse dos alunos, que depois levam estas ideias para casa e as passam aos pais e avós", conclui.

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