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Idalina Cunha faz presépios com o que a natureza oferece

Idalina Cunha faz presépios com o que a natureza oferece
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Sempre gostou de artes manuais, mas Idalina Cunha nunca pensou em fazer disso um modo de vida, até que a filha casou e o marido se reformou. Fez uma certificação e tornou-se artesã, especializando-se na criação de presépios em materiais naturais, mas também em arranjos com plantas.

"Tirei a carteira de artesã há dois anos e é agora o meu modo de vida e hobby. Faço presépios com o que a natureza oferece, reciclando tudo o que encontro, desde paus, a pedras, folhas, cascas. Inclusive tenho muitas pessoas que me ajudam nessa parte e já me fornecem material", começa por explicar Idalina Cunha, natural de Alfena, Valongo, avançando: "Foi num percurso de mudança que surgiu esta atividade. A minha filha casou-se, o meu marido reformou-se e eu tive necessidade de ocupar o tempo para esquecer estas alterações na minha vida e arranjei o que fazer. Conto com a ajuda do meu marido para me transportar para as feiras".

O casamento da filha marcou o ponto de viragem. "Fiz a festa em casa e decorei tudo, coloquei presépios e outras coisas bonitas, a família e as outras pessoas adoraram e disseram que devia expor e fazer algo para dar a conhecer o meu trabalho", conta a artesã, tendo pouco depois sido convidada para uma exposição no Centro Cultural de Alfena. "Correu muito bem e foram surgindo convites de um lado e de outro e as feirinhas são o local onde habitualmente mostro o meu trabalho. São poucas, mas são boas e as pessoas já me procuram na meia dúzia de feiras que faço ao longo do ano", acrescenta Idalina Cunha.

Mas o gosto pelos trabalho manuais já vem de muito antes. "Sempre gostei muito de plantas e sempre me dediquei muito a elas, fazendo arranjos para casa. Tudo o que fosse trabalho com plantas e com a natureza encantava-me. E então surgiu a ideia dos presépios, porque os que fiz eram tão bonitos, que depois me dediquei a fazer mais", revela a artesã.

A maior parte das peças que cria têm apenas as três figuras principais - Maria, José e o menino Jesus - e destacam-se pelos materiais que utiliza. Alguns característicos da região, como a lousa e a regueifa, mas também troncos de árvores, paus, folhas, pedras, cabaças, bugalhos, bolotas, pinhas, cascas de noz ou de abacate, cortiça, serapilheira, conchas, estrelas-do-mar, sementes, entre muitos outros.

"Procuro materiais muito naturais. Os meus presépios são diferentes e únicos. Não há ninguém que tenha este tipo de trabalho nestes moldes. São feitos com imaginação e inspirados no que encontro na natureza", continua.

"Sempre que vou sair, venho sempre acompanhada com pecinhas e pequenas coisas que apanho. Ando sempre em pesquisa e sempre que encontro trago para casa. Se vou passear ao campo, trago sempre alguma coisa comigo, até na rua encontro uma coisinha que já me dá para o presépio", diz a artista, continuando: "Trabalho muito com a lousa, que é da minha zona, trabalho também as cortiças, que também são materiais muito bonitos, e geralmente consigo fazer sempre peças únicas, não há repetidos. Utilizo também muitas sementes de cabaça, de cerejas e de abóbora. Cada peça nunca é igual a outra. É sempre original".

As peças podem variar de um tamanho semelhante a uma moeda de um cêntimo até ao tamanho que se quiser. "O maior presépio que fiz era quase do tamanho de uma cabana, onde cabia uma criança dentro", conta Idalina Cunha, salientando que quanto menor for a peça mais trabalho dá. "Os mais pequenos são mais difíceis, os maiores são mais fáceis, mas também depende, pois alguns são muito complicados. As lâmpadas, as conchinhas, as cascas de sementes exigem muita paciência e muito tempo para se trabalhar com elas", afirma a artesã, que tanto pode demorar uma hora a fazer um dos presépios pequenos, como alguns dias quando implicam um trabalho mais pormenorizado.

"Como cada peça é única, às vezes estou a trabalhar e surge uma ideia e a peça já não vai para aquele formato que estava inicialmente previsto. Quando começo uma peça o final é sempre uma incógnita, às vezes nem é aquilo que estava a projetar, mas é o que fica bem. Só paro quando acho que fica bem", revela a artista sobre a metodologia de trabalho.

Apontar um trabalho preferido é que é mais difícil para Idalina Cunha. "Eles são todos tão especiais para mim que não tenho assim um único de que goste mais. Quando acabo uma peça, aquela última é a mais especial. Depois faço outra e já fica essa. Não consigo escolher qual gosto mais. Em alguns tenho mais dificuldade nas colagens, no tempo de secagem e de preparação, mas no final gosto sempre de todos", confessa.

As ideias para novas criações surgem do nada, por isso a artesã procura passá-las para o papel para depois as reproduzir. "Quando me surge alguma ideia tenho de escrever porque, senão, depois esqueço-me. Mesmo de noite lembro-me de um presépio e depois de manhã ele sai direitinho", anota a artista.

E ao longo dos anos, têm sido várias as distinções recebidas pelos presépios criados. "Já ganhei cinco prémios, um no Cedofeita Viva, no Porto, e quatro na feira de artesanato de Alfena", diz, com orgulho, avançando: "Em Alfena ganhei dois primeiros prémios, em 2018 e 2019, um segundo e um terceiro. Faço esta feira há cinco anos e já ganhei quatro prémios. É um orgulho ser premiada e um motivo para continuar a fazer e gosto muito e é uma coisa que me realiza completamente. Quando vou fazer presépios nem dou conta do tempo passar, desligo de tudo. Às vezes já é noite e nem dou fé das horas passarem".

Os trabalhos de Idalina Cunha podem ser vistos em algumas feiras de artesanato. "Faço umas feiras de artesanato em algumas aldeias de Portugal que integram o projeto "Há Festa na Aldeia". No ano passado estive em Rio de Honor e em Macedo de Cavaleiros, na aldeia de Talhas, muito poucos habitantes tanto uma como outra, mas lindíssimas. Também faço com eles a Feira de Oliveira de Azeméis. Além disso faço a de Alfena, que é a minha terra", aponta a artesã, que também expõe os trabalhos no período de Natal em Valongo e Vila do Conde.

Para as aldeias leva presépios que encantam quem lá está e de lá traz sempre materiais para novas criações. "Já me deram cortiças entre muitas outras coisas que não se encontram cá. Levo o carro cheio e regresso com ele, às vezes, ainda mais cheio. As pessoas oferecem-me muita coisa", finaliza.