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Alunos criam aplicações para telemóvel

Alunos criam aplicações para telemóvel
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Na semifinal norte da "Apps for Good", que decorreu no Parque Urbano e no Fórum Cultural de Ermesinde, em Valongo, foram apresentadas pelas escolas concorrentes quase 60 ideias originais

O encontro regional do Norte da "Apps for Good", iniciativa promovida pelo CDI Portugal (Centro of Digital Inclusion), organização não-governamental de inclusão social e inovação digital, em parceria com o Ministério da Educação e Ciência, realizou-se anteontem, no Parque Urbano e Fórum Cultural de Ermesinde, a convite da Câmara Municipal de Valongo, com nove dos 60 projetos apresentados a serem selecionados para a final, marcada para 24 de setembro, na Gulbenkian, em Lisboa.

Esta iniciativa destina-se a alunos do 5.º aos 12.º ano e visa a criação de aplicações para telemóvel e tablet. "Este ano têm um foco especial nos objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, pelo que têm de ter um objetivo de sustentabilidade e de resolver um problema social. É importante que estas crianças e jovens tenham a ideia de fazer alguma coisa pelo Mundo que nos rodeia", explicou João Baracho, diretor executivo do CDI Portugal, anotando que "a recetividade de professores e alunos tem sido fantástica".

E não falta criatividade aos estudantes. "Há ideias que vão desde os problemas e a violência no namoro, a gestão de um funeral, o lixo ou o abandono dos animais. São todas muito originais, cada vez mais diferentes e mais estudadas", acrescentou o responsável, completando: "É com agrado que vemos as equipas de alunos e professores a procurarem muito o auxílio de especialista da zona ou da nossa plataforma, onde temos cerca de 1200 especialistas. Procuram muito o apoio das empresas locais, das clínicas e centros veterinários e isso é fantástico pela aproximação que faz da escola ao mundo real".

Embora projeto esteja desenhado para os 2.º e 3.º ciclos e secundário, há escolas do ensino básico a pedirem para participar. "No princípio dizia que não se adequava muito, pois o professor nessa condição tinha de ser mais líder do que facilitador, mas os casos apresentados têm sido muito bem escolhidos pelos professores e sabem muito bem porque pedem essa exceção", confessa João Baracho, salientando o "excelente trabalho de todos os professores". "Para além de todos os projetos e todo o trabalho administrativo, ainda se metem em projetos deste nível e se atrevem a trazer aqui todas estas equipas. Não é um trabalho leve durante todo o ano", frisa o diretor executivo do CDI.

Apesar de o projeto estar associado à tecnologia e querer seduzir professores e alunos para essa área, João Baracho diz que "não é um programa tecnológico, não ensina programação nem tecnologia". "Tem quatro níveis diferentes de tecnologia. Se entrarem professores de tecnologia e programação escolhem o nível mais alto e podem desenvolver a app até ao fim, colocar nas lojas e desenvolver ao máximo o conhecimento tecnológico. Se forem professores de outras disciplinas, com alunos que querem ir para outras áreas, fazem o programa na mesma, têm as ferramentas para fazer o protótipo e têm especialista a quem recorrer", explica o responsável, avançando sobre a missão da "Apps for Good": "O objetivo deste programa não é que vão todos para engenheiros ou informáticos, é que a tecnologia possa potenciar aquilo que querem fazer e lhes dê mais poder, seja em que área profissional for. O que se quer é que os alunos têm confiança e vontade de fazer coisas diferentes".

Por seu lado, José Manuel Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Valongo, anfitriã deste encontro regional, mostrou-se bastante agradado com este programa e espera que num futuro próximo se possam ver projetos de escolar do concelho a concorrer.

"Temos uma relação com o CDI com o nosso Centro de Cidadania Digital, inaugurado há muito pouco tempo, ainda estamos a aprender a fazer aplicações que tenham impacto social altamente relevante. E foi no âmbito desta parceria que temos que surgiu a hipótese de acolhermos o encontro regional em Valongo", referiu o autarca, anotando que esta "é uma oportunidade de mostrar aos jovens do concelho o poder das ideias, de desenvolverem uma aplicação que tem impacto social".

"Tenho a certeza que daqui por uns meses vão começar a aparecer neste programa ideias dos jovens do município de Valongo. Este programa é extraordinário, pois incute autonomia nos jovens e ensina-os a transformar uma ideia numa aplicação, em algo real, que tem um impacto na vida das pessoas", frisou o edil.

Crianças do 1.º ciclo criam "As Delícias da Cantina"

Mudar a qualidade da comida servida na cantina da escola é o que Filipa, Diogo, Joana, Francisco e Margarida, alunos do 1.º ciclo do Agrupamento Dr. Vieira de Carvalho, na Maia, e os mais jovens participantes do encontro regional norte, procuraram com o desenvolvimento da app "As Delícias da Cantina". "Esta aplicação serve para avaliar e melhorar a qualidade da comida na cantina, para dizermos o que é que gostamos e o que não gostamos", diz Filipa.

Nélia Gomes, professora responsável pelo projeto, explica como surgiu a ideia: "Uma menina não gostava de gelatina e queria ter a hipótese de poder comer fruta quando havia doce para sobremesa, pois, ao contrário do que se pensa, as crianças nem sempre gostam dos doces que as empresas da cantina escolar oferecem".

Neste momento a aplicação está apenas disponível no telemóvel da docente, mas o objetivo é disponibilizá-la para o agrupamento e a todas as escolas do 1.º ciclo do concelho da Maia. "Queremos pedir à Câmara Municipal que através desta app faça uma avaliação diária, com o telemóvel dos pais, para mais tarde compilarmos todos os dados e fornecermos os resultados ao departamento de educação da autarquia, que é quem contrata as empresas e aí podermos melhorar a qualidade das refeições nas cantinas escolares", acrescentou Nélia Gomes.

Aplicação 'Smart Study' ajuda alunos a concentrarem-se

Ana, Maria, Beatriz, Francisca e Érica, alunas do 8.º Ano na E. B. 2.3 Dr. Fortunato de Almeida, de Nelas, Viseu, criaram uma aplicação direcionada ao estudo, a "Smart Study", que faz com que os alunos não se distraíam tanto com o telemóvel.

"A ideia surgiu quando estávamos a discutir os nossos métodos de estudos para um teste de Matemática, em que as notas tinham sido miseráveis. Estávamos a ver quando estudávamos e em que período do dia nos concentrávamos mais e que o telemóvel estava sempre ao nosso lado e era uma distração frequente", explica Ana, avançando sobre o funcionamento da app desenvolvida: "Bloqueia todo o tipo de notificações, mensagens e chamadas e apenas números selecionados pelo encarregado de educação é que podem comunicar com os alunos enquanto o modo estudo estiver ativado. Os restantes números são respondidos com uma mensagem automática a dizer que estamos a estudar e que contactamos mais tarde".

'We Help' presta serviços e promove emprego

Uma das nove selecionadas pelo júri para a final foi a aplicação "We Help", criada por Samuel, Tiago, Pedro, Vítor e Nuno, da Escola Profissional Agrícola de Conde de São Bento, em Santo Tirso, que visa a prestação de serviços ao domicílio.

"O cliente acede à aplicação, escolhe a área geográfica onde reside, escolhe o tipo de serviços e é fornecida uma lista de empresas que o prestam, com o preço a poder ser regateado entre as parte ou já tabelado. No primeiro ano a aplicação é gratuita para consumidores e empresas, mas ao fim de um ano 5% do serviço reverte para nós e para associações de caridade", refere Samuel, complementando: "Com esta aplicação pretendemos criar emprego e divulgar pequenas empresas, que no início serão apenas do concelho e região".

Para além da 'We Help', também foram escolhidas as apps 'Ampara' e 'i-Dose Pills' (Escola Profissional de Fafe), 'Make a Story' (Esc. Manuel Gomes de Almeida/Espinho), 'WYW Umbrella' (Esc. Serafim Leite/São João da Madeira), a 'Refood' (Esc. Levante/Maia), 'Food Drive' (Esc. de Comércio do Porto), 'InOvar' (Escola Júlio Dinis/Ovar) e 'Help2Learn' (Agrupamento Escolar Dr. Francisco Sanchez/Braga).

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