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Brinquedos artesanais dão origem a coleção de roupa

Brinquedos artesanais dão origem a coleção de roupa
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Das mãos da estilista Marlene Areais Trigo nasceu, há cerca de um ano, uma coleção de roupa inspirada nos brinquedos tradicionais e artesanais de Alfena, em Valongo, denominada "Os Guardiões do Brinquedo", que inclui peças para mulher, criança e homens, desde as básicas t-shirts, às saias, calções, calças e até vestidos.

"O projeto nasceu há cerca de um ano e surgiu da ideia de preservação do brinquedo tradicional português e de onde aplicar essa mesma ideia, já que trabalho com vestidos de cerimónia. Não queria juntar esta ideia com a minha atividade principal, pois achava que não conjugava. Então pensei em replicar os brinquedos numa coleção casual de roupa", começa por explicar a estilista Marlene Areais Trigo, natural de Alfena, avançando: "A ideia foi utilizar as formas originais dos brinquedos, que são formas muito simples, muito geométricas, puras e duras mesmo, e utilizar isso em peças de roupa atuais, que qualquer pessoa possa usar, independentemente de ser apaixonado por este tipo de brinquedos ou não".

Segundo a criadora, um dos objetivos desta iniciativa é "fazer com que que as pessoas se apaixonem pelo brinquedo através da roupa". "Daí o nome "Guardiões do Brinquedo", para darmos valor ao que é português, pois temos um património tão rico e tão variado e um deles está aqui em Alfena. E eu, sendo daqui, quis fazer mesmo isso: preservar o que é tradicional, e neste caso, o tradicional de Alfena. É uma arte que tem imensos anos e, felizmente, ainda existe uma fábrica que continua a construir esses brinquedos", continua Marlene Areais Trigos.

A estilista salienta ser esta, também, uma forma de homenagear os artesãos que criaram brinquedos que fizeram as delícias de muitas crianças ao longo de quase 100 anos.

"Houve muitas gerações, como a minha, que brincaram com estes brinquedos e que, na altura, não existindo a tecnologia que há agora, achavam os brinquedos o máximo. Recordo-me da máquina de costura, com a agulha que subia e descia com o rodar da manivela e dava a sensação que estava a coser, ou o ferro de engomar e as panelas, onde simulávamos cozinhados. Brinquedos que puxavam pela nossa imaginação", recorda Marlene, lamentando que, hoje em dia, "as crianças quase não precisem de usar a imaginação". "Os miúdos, atualmente, nem ligam muito a estes brinquedos, já nós adultos ficamos todos entusiasmados de cada vez que vemos um", frisa.

Embora a criação das peças seja da total responsabilidade da criadora, esta reconhece que não conseguiria ser tão fiel ao brinquedo artesanal original sem a ajuda do neto de José Augusto Júnior, o primeiro artesão a criar o brinquedo artesanal português, que mantém viva uma herança familiar que já vai para as mãos da quarta geração.

"O primeiro contacto que tive foi com o Júlio Penela, neto do fundador dos brinquedos Pepe e Jato, e foi uma peça fundamental para poder avançar com este projeto. Já conhecia alguns brinquedos, mas não conhecia a história e deliciei-me com ela, pois tem muito impacto em Portugal, uma vez que os brinquedos foram inovadores em determinados aspetos. Achei o máximo saber que tinha uma empresa com tanta longevidade aqui em Alfena e que ainda continua a fabricar esses mesmos brinquedos. Ele foi uma das pessoas que me ajudou, pois abriu-me as portas, contou-me a história e tive a permissão de usar esses mesmos desenhos nas minhas criações. Posso dizer que tenho quase o desenho original dos brinquedos para criar as peças", conta a criadora de moda.

Por isso, não é difícil de adivinhar o quanto agradou à estilista poder avançar com este projeto. "Adorei fazer esta coleção, pois foi mesmo brincar com a roupa. O que fiz foi aplicar os desenhos e depois brincar com as peças, daí aplicar folhinhos, fitinhas ou pedrinhas. Pegar numa peça básica e brincar com ela, tornando-a o mais feminino possível", diz, Marlene Areais Trigo, ressalvando que a linha criada não se destina apenas às mulheres, mas foi também pensada para as crianças e os homens.

"Nos homens peguei em t-shirts básicas e fiz estampagens e bordados para dar outra dinâmica. Nas peças ligadas à mulher dei largas à imaginação, pois também é aquilo que faço. Apliquei todo o meu conhecimento e fiz aplicações, dei cortes diferentes, criei vestidos, saias, calças e calções, para mostrar que também é versátil e se pode usar os desenhos dos brinquedos sem ser só nas partes de cima com a t-shirt básica em várias versões", refere Marlene Areais Trigo, acrescentando: "Na coleção para as mulheres vale tudo, desde usar folhinhos, rendas valencianas, pedrinhas e fitinhas, a misturar vários tipos de materiais, para dar um ar mais feminino e mais agradável de se usar. Podemos usar a mesma peça com umas calças de ganga ou com peças mais clássicas, como uma saia ou umas calças e ter "looks" completamente diferentes, desde um mais descontraído a um mais cerimonial".

Os materiais com que trabalha na coleção inspirada nos brinquedos tradicionais de Alfena são os mesmas que utiliza nos vestidos de cerimónia que cria e deixa ao gosto do cliente a personalização de alguns pormenores. "Há essa possibilidade, basta dizer qual o desenho do brinquedo que se pretende e a partir daí escolher os elementos, se quer folhos, com manga ou sem manga. Além disso, todo o tipo de materiais que utilizo é possível colocar nas peças", complementa proprietária do D"Areais Trigo Atelier, que na coleção não se esqueceu do "conceito família". "O Pai, a mãe, o filho e a filha podem ter uma peça de roupa com o mesmo desenho, mas todos eles diferentes. Em vez de ser uma t-shirt igual para todos, pode-se aplicar para a menina e mãe numa saia, vestido ou calção, e para o pai numa camisola mais básica", refere a estilista.

Para completar, Marlene anota que num futuro próximo a ideia "é divulgar o produto em lojas com o conceito de marca portuguesa e de produtos portugueses", muito procurados por turistas que visitam o país.