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Há 40 anos a confeccionar biscoitos tradicionais com carinho

Há 40 anos a confeccionar biscoitos tradicionais com carinho
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O aroma adocicado dos biscoitos Joneves desperta de imediato memórias de infância que se julgavam esquecidas e reporta-nos para as casa das avós e o momento em que chegava a hora do lanche e se abria o tão desejado frasco dos doces. Mais de 40 anos depois, a Fábrica de Biscoitos Doceneves, em Valongo, continua a adoçara boca dos clientes, produzindo mais de duas dezenas de variedades de biscoitos e pastelaria tradicionais.

A Fábrica de Biscoitos Doceneves, mais conhecida por Joneves, foi fundada em 1978 pelos irmãos Serafim e José Neves, que, oriundos de uma família ligada à indústria da panificação, aprenderam a arte desde muito novos. Hoje está nas mãos da segunda geração.

"A empresa foi fundada pelo meu pai e pelo meu padrinho, Serafim e António Neves, dois irmãos. É uma empresa que vem de família, tendo eles aprendido o ofício desde pequenos. Eu, como não quis estudar, vim trabalhar com eles e aqui estou há 32 anos. Eles reformaram-se há três anos e agora estou cá eu a seguir os passos deles", explica Vítor Neves, sócio-gerente da fábrica, salientando que "na Joneves se encontram, essencialmente, biscoitos regionais, que se faziam antigamente em Valongo".

"É tudo feito à mão, da maneira tradicional, e com muita qualidade, não nos preocupamos com a quantidade. Compramos produtos de qualidade para termos um bom produto no final", realça um dos atuais donos, avançando que o segredo está no tempo que se dedica ao produto e no carinho que se coloca na hora da confecção.

"Tudo leva o seu tempo, há massas que precisam de descansar antes de serem trabalhadas, outras é preciso começar logo a moldá-las. Isso são coisas que se aprendem com o tempo e com o trabalho do dia-a-dia e que vai passando de uns para os outros. As receitas são ainda originais e muito antigas, embora haja algumas massas que foram melhoradas", continua Vítor Neves, complementando sobre a importância do trabalho manual: "Há receitas que não conseguimos fazer as massas em máquinas. Já tentámos e isso obrigava-nos a alterar a receita e optámos por não o fazer. Comprar a máquina e depois o consumidor não gostar do produto não vale a pena".

E são mais de duas dezenas as variedades de biscoitos e pasteis que saem das mãos do deste doceiro e dos outros cinco funcionários que tem a ajudá-lo nas diferentes fases do processo de produção, desde a preparação das massas, à moldagem, cozedura e embalamento. No final de cada dia de trabalho são confeccionados mais de 800 sacos de barquinhos, doce branco, doces de champanhe, fidalguinhos, digestivos, sonhos, biscoitos de milho, coquinhos, mal-feitos, cacos, seminaristas ou queques, entre tantos outros.

"Destes, os que têm mais saída são os seminaristas, os cacos e os fidalguinhos, que nem conseguimos fazer a quantidade que precisamos por ser muito procurado, e os sonhos. Depois, há terras que consomem mais uma variedade e outras elegem outro tipo de biscoito", refere o doceiro.

A procura deste tipo de produtos cresceu bastante nos anos mais recentes, segundo o sócio-gerente da Joneves, porque "as pessoas começam a ficar cansadas de produtos em massa, que saem todos iguais, mas cuja qualidade não é a mesma".

"Sou um bocado suspeito para falar desses artigos, mas as coisas tradicionais, feitas com amor e carinho, com produtos de qualidade, têm outro sabor. Temos participado em feiras e vêm pessoas de longe ter connosco e reveem-se nesses doces que começam outra vez a ser mais comprados, porque vêm que são melhores", avançou Vítor Neves, referindo que os biscoitos podem ser comprados na fábrica ou em várias lojas tradicionais no Porto e em vários pontos do país. "Não estamos em grandes superfícies, trabalhamos com o comércio tradicional", completa.

Graças à Confraria do Pão da Regueifa e do Biscoito de Valongo, o sócio-gerente da Joneves acredita que os produtos passaram a ter mais visibilidade no mercado. "É uma forma de todos juntos levarmos o que é da terra mais longe. Lembro que antes havia muitas rivalidades entre as várias empresas e agora estamos todos a levar o barco em frente e colocar os produtos da terra em alta, pois os biscoitos de Valongo, desde o pão à regueifa foram sempre os grandes abastecedores do Grande Porto e é bom que continue a ser assim", salientou o doceiro.

Por seu lado, António Paupério, representante dos outros dois sócios da empresa (casou com a filha de um dos fundadores) - os outros 50% estão divididos pela mulher e pelo cunhado, ambos a trabalhar em áreas completamente distintas -, aponta os problemas que a Joneves tem de enfrentar. "Os grandes desafios desta atividade, nesta altura, prendem-se com o custo de produção. É extremamente difícil sermos competitivos no mercado do biscoito, que se depara com a concorrência de biscoitos vindos, nomeadamente, de Espanha e de Itália, que são fortes no fabrico, mas que nada têm a ver com a qualidade e o produto tradicional que Valongo tem na área do biscoito", salienta o também mediador de seguros.

Mas, António Paupério defende que o biscoito de Valongo "é um produto que se consegue diferenciar no mercado". "Nós produtores e através da confraria, que de facto acrescenta valor à nossa atividade, estamos a tentar fazer com que seja um produto de nicho e que se consiga ter uma relação qualidade/preço capaz de competir com outros produtos, não diria de menos qualidade, mas diferenciados em termos de matéria-prima", avança o representante, frisando que a "qualidade da matéria-prima é fundamental" e que o seu custo "tem de ser equacionado".

"Dou o exemplo do coco, que é variável em bolsa, e o preço alterna muito em função disso, o que vai ter reflexo no custo da produção. Há uns anos não era muito pensado o custo de produção porque se conseguia vender muito", explica António Paupério, para finalizar: "Hoje, o consumidor não olha tanto à qualidade, mas ao preço. Nós tentamos conciliar as duas coisas. Não abdicamos de comprar bons produtos, que nos permitem manter a tradição dos biscoitos de Valongo".