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Quinta das Arcas produz vinho verde em Valongo há 40 anos

Quinta das Arcas produz vinho verde em Valongo há 40 anos
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Quando se pensa na região demarcada de vinho verde dificilmente se associa a uma vinha em Sobrado, concelho de Valongo, que fica a dois passos do Porto. Mas é lá que criou raízes profundas uma das maiores produtoras de uvas desta especialidade: a Quinta das Arcas.

Protegida dos ares marítimos pelas serras de Pias e de Santa Justa e localizada nos limites que separam a freguesia de Sobrado do concelho de Paredes, reza a história que a origem da empresa assenta num acidente de carro que uniu duas famílias. Há cerca de 40 anos, António Esteves Monteiro fundou a Quinta das Arcas, começando a produção de vinho verde numa pequena parcela de terreno agrícola, que com o passar dos anos foi sendo estendida até aos atuais mais de 200 hectares de vinhas na região, divididas por várias propriedades. A esta área acrescem os mais de 100 hectares na Herdade do Penedo Gordo, no Alentejo, onde se dedica à produção de vinhos tintos.

"O meu pai era do Sul e veio para aqui com uma filosofia mais profissional da agricultura e começou a fazer o emparcelamento para a tornar mais rentável. Foi um percurso muito atípico, mas que traz resultados e, hoje, tem um património diferente e deixa-nos preparados para encarar o futuro com muito bom presságio. A Quinta das Arcas como propriedade tem 40 hectares de vinha, mas como empresa possui quatro ou cinco propriedades na região, maioritariamente no concelho de Valongo e uma área total de 200 hectares", explica António Monteiro, um dos filhos do fundador e gestor de exportação, avançando que no Sul a produção só se iniciou na viragem do milénio, por ligações familiares à região.

Na essência, a empresa assume-se como uma "produtora de vinho verde", que para produzir bom vinho "tem de ter uma boa matéria-prima". "Por isso, um dos nossos focos é a produção de uva de qualidade, porque sem boas uvas não se consegue fazer bons vinhos", salienta o gestor, anotando que são "uma das maiores empresas a nível de produção de uva", contando para tal com a ajuda de 50 funcionários, desde a parte agrícola, produção, armazém, distribuição e administração, número que duplica na altura das vindimas

"A nível de produção de vinho não é e, se calhar, nem almejamos isso. Estamos muito focados na produção de uva e achamos que o vinho para refletir essa qualidade também tem de respeitar certas quantidades", justifica António Monteiro, deixando a fórmula para um vinho bom: "Se calhar o terreno árido é o segredo para se produzir tão bom vinho e uvas. Estamos numa faixa de xisto, que prossegue até à região do Douro, por isso é um bocadinho diferente do resto da região dos vinhos verdes, onde predomina o granito. O facto de o solo ser diferente dá-nos alguma diferenciação em relação ao resto da região. São solos pobres, mas bem estruturados e que se vê que temos tido muito bom resultado com vários tipos de castas que aqui plantamos".

E a verdade é que na Quinta das Arcas são produzidas várias castas. "Apostamos essencialmente nas castas nacionais, que estão muito bem adaptadas a este clima e a estes solos. As nossas castas principais são o Loureiro, o Arinto, a Trajadura, o Alvarinho, no tinto temos o Espinhão e o Padeiro. Essas castas são a base da nossa produção", avança o gestor, referindo que produzem anualmente cerca de três milhões de litros, com os vinhos a serem exportados para 35 países, sendo que os principais mercados são os dos Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha.

A nível nacional, os vinhos da Quinta das Arcas não são fáceis de encontrar, pois a empresa vinícola não trabalha com supermercados, nem com grandes cadeias de distribuição. Por isso, para ter à mesa uma garrafa de Arca Nova ou Conde Villar, as principais marcas de vinho verde, ou os alentejanos Penedo Gordo e Tapada de Villar, o consumidor tem de se deslocar à loja localizada nas instalações da empresa ou comprar pela internet através da loja online. "As pessoas podem adquirir os nossos vinhos através do site www.lojadaquinta.pt ou do link do site www.quintadasarcas.com/pt. Os preços são bastante acessíveis e se fizerem uma compra igual ou superior a 50 euros a entrega é gratuita", explica António Monteiro, completando: "Esta foi uma maneira que conseguimos para tentar chegar com os nossos vinhos ao consumidor. Muita gente encontra-os nos restaurantes, que são o nosso canal de eleição, e também em lojas, e depois querem repetir o vinho e consumi-lo em casa e não encontram".

Vários prémios amealhados

Para atestar a qualidade do vinho produzido estão os vários prémios e certificados ganhos em concursos vinícolas. "É preciso ter prémios, porque é preciso ser reconhecido, mas a qualidade são os nossos clientes que a reconhecem e que a atestam, porque não interessa ter um vinho cheio de medalhas e depois não se consegue vender. Submetemos os nossos vinhos para concursos porque é importante até para aferirmos em relação à concorrência, como estamos a produzir e se está a ser bem feito, mas no dia a dia, as verdadeiras medalhas é a venda do vinho", atira o gestor de Exportação, apontando as principais características do vinho produzido pela Quinta das Arcas: "O que torna o nosso vinho especial e diferente dos outros é o equilíbrio. Não procuramos que sejam vinhos extremamente aromáticos ou fantasiosos. São vinhos muito terra a terra, fáceis de beber e que vão harmonizar perfeitamente com variadíssima gastronomia. São vinhos honestos, que refletem a sua origem e o cuidado com que são produzidos".

Embora o negócio dos vinhos seja a principal fonte da empresa, esta também se dedica à produção de queijos e azeite. "O meu pai tinha um negócio de vacas e, de há 40 anos para cá, sempre produzimos leite. Foi o salto lógico começar a produzir o queijo artesanalmente, em quantidades pequenas e só com o nosso leite. Hoje em dia já não acontece, pois deixámos o ramo de negócio da pecuária e focamo-nos unicamente no queijo. A parte do azeite veio com o Alentejo. Na herdade para além de vinhas decidimos colocar oliveiras, pois tínhamos alguns clientes que nos pediam esse tipo de produto e acabamos por apostar nele", justificou António Monteiro.

E como o futuro é já ali, a Quinta das Arcas tem outros projetos em vista, como a inauguração, em breve, de uma sala de provas e a construção de uma "guest house" (em tradução livre "casa de hóspedes") para receber clientes, amigos e turistas. "Esta área mais vocacionada para o turismo ainda não está desenvolvida, mas é algo que queremos fazer", completou o filho do fundador.

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