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Quinta Rei é exemplo de boa gestão florestal

Quinta Rei é exemplo de boa gestão florestal
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Na Quinta Rei, localizada em Alfena, Valongo, a "The Navigator Company" prova, há cerca de 40 anos, que é possível uma coexistência pacífica com o eucalipto, fruto de uma política de gestão florestal assente na preservação e na prevenção.

A Quinta Rei, propriedade da "The Navigator Company", é uma referência a nível nacional de como deve ser feito o planeamento florestal. A plantação de eucaliptos globulus - a principal fonte de matéria-prima da empresa - domina a paisagem nos cerca de 70 hectares localizados numa encosta e vale de Valongo, sendo também possível encontrar outras árvores autóctones e espaços de lazer.

A proteção de tão valioso património está, desde 2002, nas mãos da AFOCELCA, um agrupamento complementar de empresas criado para fazer a prevenção e o combate aos incêndios florestais, que tem instalada na Quinta Rei uma das três bases a nível nacional, com silvicultores, autotanques, máquinas de rasto, helicóptero e uma equipa helitransportada, em alerta 24 horas por dia, e com atenção redobrada nas épocas mais críticas do ano, como a que o país está a atravessar quando o calor se intensifica.

E o combate ao inimigo mais feroz e devastador inicia-se logo na origem: no momento em que se planta o eucalipto. "Para nós a gestão ativa é fundamental e esta propriedade é um símbolo disso, bem como do bom relacionamento local que existe. A Quinta Rei é uma referência e é uma mais-valia para a Navigator estarmos aqui em Valongo", começa por salientar João Melo Bandeira, engenheiro florestal que trabalha para a empresa há cerca de 20 anos.

O planeamento do cultivo desta espécie de árvore é feito segundo vários critérios. "Temos o cuidado de fazer todas as intervenções para controlo de combustível atempadamente, bem como uma seleção das áreas-alvos que possam ser reflorestadas", avança o engenheiro florestal, explicando: "Como entendemos que o eucalipto e a área de produção não é para ser colocado em todo o local, temos outros espaços onde pode ser feita outro tipo de floresta de conservação e proteção. A nossa preocupação e objetivo é fazer com que a nossa floresta consiga chegar aos 12 anos, que é o nosso termo de explorabilidade. Ou seja, a altura ideal para podermos cortar a madeira".

Segundo João Melo Bandeira, com este tipo de intervenção ativa ao nível da conservação, da proteção e da produção a The Navigator Company "consegue ligar os três pilares da sustentabilidade ao planeamento de gestão ativa da floresta".

E para se ter uma melhor noção da importância desta empresa de base florestal para a economia nacional, nada melhor do que mostrar os números. "Contribuímos com cerca de 1% para o Produto Interno Bruto, temos 6% da carga contentorizada e a grande mais-valia é que temos matéria-prima, produzimos pasta, produzimos papel e exportamos 95% daquilo que produzimos. Damos emprego a 3100 colaboradores diretos, mas lidamos com cerca de 31 mil indiretos, são cerca de 5400 empresas a que estamos ligados", aponta o engenheiro florestal, enaltecendo: "Não há muitas empresas com esta capacidade em Portugal. Além disso somos líderes mundiais de papel de escritório, o mais conhecido é o Navigator. É importante perceber que um país tão pequeno consegue ter uma marca tão importante".

"Para além disto tudo, a The Navigator Company investe anualmente oito milhões de euros na área florestal, três milhões dos quais na componente de proteção, que passa necessariamente pelo controlo da vegetação, mas também por ter, em parceria com a empresa Altri Florestal, um dispositivo - a AFOCELCA - com as pessoas que trabalham na silvicultura todo o ano, fazem a vigilância ativa e o apoio à estrutura nacional de combate aos incêndios florestais e que tem, em Valongo, uma sede com um dos três helicópteros a nível nacional", revela, ainda, João Melo Bandeira, anotando que o investimento "é avultado, mas necessário".

Fundamental também para a preservação da área florestal da empresa, é manter uma ligação com os proprietários limítrofes. "Temos uma política muito importante de envolvimento local, de envolvimento com os vizinhos e, principalmente, com a comunidade local, seja ao nível do proprietário, das juntas de freguesia ou das câmaras municipais. O nosso trabalho comercial passa por tentarmos arrendar as terras aos proprietários contíguos que não tem capacidade para poder fazer um investimento florestal, que é enorme, no sentido de diminuirmos o nosso risco fazendo nós a gestão, mas também para dar a esses proprietários uma mais-valia para as suas áreas", refere o engenheiro da The Navigator Company, apontando como um dos grandes entraves ao planeamento florestal é a "falta de escala" na relação investimento/lucro.

"Para que se tenha uma ideia, um hectare de eucalipto custa a um proprietário entre 2500 a 3000 euros. Essa área vai estar durante 12 anos a necessitar de gestão. Ao fim desse tempo ele vai receber um valor pela madeira, no entanto, vai ter um risco associado muito grande face ao investimento feito. Há que criar escala, para que os núcleos de gestão consigam defender melhor a floresta e tomá-la como uma prioridade", aponta João Melo Bandeira, frisando: "Uma casa é muito importante, as pessoas são muito importantes, mas a nossa floresta também tem um peso muito importante na nossa economia e devem ser avaliadas quais são as áreas geridas, quais as não geridas, e quais as que têm possibilidade de serem protegidas".

"Muitas vezes o que acontece é que uma área não gerida ao estar perto de uma que é gerida é tratada de igual maneira pela estrutura de combate a incêndios, porque não se sentem confiantes para conseguir apagar um incêndio, tendo um vizinho que não faça qualquer tipo de gestão", finaliza o responsável pelo planeamento florestal.

AFOCELCA protege propriedades e combate incêndios

Para fazer face a estas condicionantes e evitar ver o património delapidado por incêndios ano após ano, em 2002, três grupos rivais - Aliança Florestal (Grupo Portucel-Soporcel), Celbi (Stora-Enso) e Silvicaima (Caima) - decidiram unir esforços e criar uma estrutura que lhes pudesse proteger as propriedades e combater os incêndios florestais. Assim nasceu a AFOCELCA, que, a partir de 2005, passou a integrar o atual Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais. Hoje em dia, afetas ao grupo estão apenas a The Navigator Company e a Altri Florestal.

"A estrutura engloba cerca de 300 operacionais, desde representantes no Comando Nacional de Operações de Socorro, nos 18 Comandos Distritais Operações de Socorro, uma torre de vigia, 19 unidades de prevenção e vigilância, 26 unidades de combate, três helicópteros com as respetivas brigadas. Este ano, a AFOCELCA fez uma aposta para colmatar o défice da estrutura nacional, e adquiriu nove máquinas bulldozers, denominadas de rasto, prontas a sair ao minuto", explicou Pedro Dias, engenheiro de Proteção Civil e supervisor Norte da AFOCELCA.

Estes meios estão ao serviço das empresas do grupo, mas também ao dispor do sistema nacional, pois o agrupamento tem protocolos de colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, quer para cedência dos meios aéreos, quer das máquinas de rasto.

Segundo o especialista, este novo equipamento permite uma abordagem mais eficaz aos incêndios. "Estas máquinas atuam por combate direto, se for necessário fazer o arremesso ou derrube de terra para cima das chamas; ou por combate indireto, através da criação de aceiros para evitar que o incêndio passe a linha que seja aceirada. Tem uma lâmina frontal bastante elevada, que tem a vantagem de criar uma faixa de contenção, pode fazer o rasgo do solo com os "ripers" que tem na traseira e evitar que incêndio passe para outro lado", frisa Pedro Dias.

Para que todos estes meios possam ser utilizados com sucesso, é fundamental a ajuda dos silvicultores que durante todo o ano trabalham diretamente para as empresas, fazendo a defesa, prevenção e combate das propriedades.

E porquê? "Porque é pessoal que como anda o ano todo nas florestas, tem um bom conhecimento de todas as infraestruturas de defesa da floresta contra incêndios, desde os aceiros, caminhos, pontos de água ou os pontos que possam vir a ser essenciais para parar um incêndio, seja pelo combate terrestre, seja com as máquinas, para abrir novos caminhos e aceirar locais estrategicamente definidos em âmbito de proteção", justifica o engenheiro da AFOCELCA, lembrando que a água nem sempre é o método mais eficaz e "que um rescaldo mal feito pode desviar meios de novas ignições que rapidamente se tornam grandes incêndios".

Por isso, Pedro Dias defende que tem de ser feito um trabalho profundo no âmbito da prevenção.

"Como defendemos a floresta? Através da abertura de novos caminhos ou da manutenção dos existentes por parte das câmaras ou dos particulares possuidores de terrenos e até das próprias empresas que compõem o grupo AFOCELCA. Esses caminhos são primordiais para chegarmos ao incêndio", frisa o responsável do norte, anotando que as "câmaras municipais são os meios promotores para criarem infraestruturas de defesa da floresta contra incêndios", e lembra que "um meio aéreo perde muito tempo e capacidade de autonomia se tiver de ir buscar longe água a um rio ou a um ponto que não seja habitual, por não haver pontos de água onde deveriam existir".

Para o sucesso das operações, é fundamental a deteção precoce de focos de fumo - os primeiros 30 minutos são essenciais -, daí que esta estrutura conte com a ajuda da rede nacional de postos de vigia, um deles localizado na serra de Santa Justa, em Valongo, que comunica qualquer ocorrência à central da AFOCELCA, que tem poucos minutos para colocar no ar uma equipa helitransportada para combater o incêndio.

"Bravo 2", a brigada helitransportada

Em Valongo, a chefia da missão da "Bravo 2" está a cargo do comandante Paulo Cavaleiro. "Temos sete minutos para sair da base. Tentámos fazer num tempo mais curto que esse. As regras estão definidas para todos os elementos da brigada e temos de vir com o equipamento completo antes de entrar no helicóptero, levar as coordenadas do incêndio, o rumo, a distância e freguesia para onde nos deslocamos. Indico ao comandante da aeronave para onde nos dirigimos e o GPS indica-nos o caminho, depois a deteção do fumo é feito à vista", avança o responsável pela equipa helitransportada, recordando que no ano passado ajudaram a combater incêndios em Castelo Branco, Lousã e até Odemira.

"Habitualmente trabalhamos num raio de 50 quilómetros, mas atuamos em qualquer local, por isso costumo dizer que o céu é o nosso limite", acrescenta Paulo Cavaleiro, salientando que as equipas helitransportadas são essenciais numa primeira intervenção. "Fazemos muito a diferença no combate às chamas quando é um fogo nascente. Num fogo com ataque ampliado já não fazemos tanto, só em casos de focos secundários nesses grandes incêndios é que podemos fazer a diferença. Somos muito eficazes na primeira intervenção, se formos chamados a tempo e horas", continua o comandante das operações.

Face à experiência no terreno, Paulo Cavaleiro alerta para "a necessidade de haver uma silvicultura preventiva para facilitar o combate" e anota: "Isso é só feito, essencialmente, pelas grandes empresas que têm os grandes povoamentos com uma silvicultura preventiva que nos ajuda no combate. Quando entramos nas matas particulares, por norma, temos o trabalho muito mais dificultado".

E se as equipas muitas vezes não conseguem chegar ao local atempadamente não é por falta de capacidade de quem dirige a aeronave. "Temos excelentes pilotos que nos colocam muito perto do incêndio. O problema é que temos concelhos no nosso país em que as pessoas não se preocupam em arranjar locais para que os helicópteros possam pousar e, depois, a primeira intervenção é mais lenta e surgem incêndios com mais tempo e área ardida que poderia ser desnecessário".

Uma das pessoas que tem em mãos a responsabilidade de contornar as condições adversas e colocar a brigada o mais próximo possível do incêndio é o comandante Noel Ferreira, da Força Aérea Portuguesa, piloto com larga experiência em situações de resgate aéreo.

"Para além da formação básica, é essencial ter bastante treino. Por muita teoria que tenhamos, as condições de combate nunca são iguais de um fogo para o outro e isso só se resolve com muito treino e, principalmente, com a ligação que temos de ter com a brigada aerotransportada, pois nós só fazemos o que a brigada pretende, para os salvaguardarmos. A relação entre os pilotos e a brigada é a parte que exige bastante treino", salienta o piloto, anotando que a única preocupação "da parte da pilotagem é sempre tentar colocar de parte a questão do sentimento e operar o helicóptero em segurança, tentando facilitar a vida à brigada e colocá-la o mais próximo possível do fogo".

Noel Ferreira defende que a rapidez com que o aparelho que manobra descola e coloca a equipa no local do incêndio faz a diferença no combate. "O helicóptero tem outra mobilidade que os aviões não têm e consegue aterrar e deslocar de qualquer sítio, o que permite colocar a brigada nos sítios ideais. Os aviões têm a vantagem enorme da velocidade e mais capacidade de água, nós temos é muito mais mobilidade", completa o piloto.

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