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Romaria de Santa Rita celebra-se neste domingo

Romaria de Santa Rita celebra-se neste domingo
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A romaria do Santuário Diocesano de Nossa Senhora do Bom Despacho e de Santa Rita, em Ermesinde, realiza-se já neste domingo. A "Santa dos Impossíveis", como é designada entre os crentes devido à história difícil de vida, é visitada por milhares de peregrinos ao longo de todo o ano, vindos das mais variadas regiões do país e estrangeiro.

No segundo domingo do mês de junho de cada ano, Ermesinde celebra a devoção a Santa Rita de Cássia, uma monja agostiniana da diocese de Espoleto, em Itália. Nascida Margherita Lotti, em 1381, e falecida a 22 de maio de 1457, em Cássia, são atribuídos a esta mulher vários milagres, sendo designada entre os fiéis como a "advogada das causas perdidas e a santa do impossível". Esta denominação assenta nas muitas provações que passou e ultrapassou, sempre guiada por uma fé inabalável e uma vontade em dedicar a vida a Cristo.

"Santa Rita teve uma educação muito esmerada, os pais já a conceberam numa fase tardia e, para eles, foi considerada um milagre. Os pais eram pessoas simples, mas de projeção social pois o progenitor era juiz de paz no povoado. Os valores associados ao perdão foram-lhe incutidos muito cedo, numa época em que havia muitas lutas sociais, e teve de crescer num ambiente de dificuldade", começa por explicar o padre Jorge Soares, responsável pelo santuário diocesano, avançando: "Apoiou-se muito na força do Evangelho e na mensagem central que é o Amor de Deus, a Misericórdia que se revela em Jesus Cristo, por quem sempre teve uma dedicação inteira. Desde muito jovem decidiu dedicar-se a Deus e à vida religiosa".

Os pais negaram essa pretensão e a jovem Margherita Lotti aceitou um casamento com um homem de um temperamento muito impulsivo e irascível, que estava envolvido em lutas entre famílias e morreu de uma forma muito violenta. Santa Rita acreditava ter conseguido mudar o caráter do marido e que este tinha aceitado perdoar o próximo, o mesmo perdão que pediu aos filhos quando estes quiseram fazer justiça pela morte do pai.

"Aí teve de vencer outra impossibilidade. É normal que os filhos adolescentes quisessem dar uma resposta que repusesse a justiça, mas a intervenção dela era no sentido de que eles não seguissem o mesmo caminho do pai e que só o perdão seria a força criativa de uma nova vivência social. Por via da força da oração, os filhos acabaram por não concretizar os intentos. Ela preferia que o Senhor antecipasse o final e os chamasse a si, do que a vingança. E assim aconteceu", relata, ainda, o clérigo.

Viúva e já sem os filhos, Santa Rita queria entrar no convento das Agostinhas, em Cássia, e concretizar o desejo de sempre. O processo de aceitação demorou algum tempo, mas ela conseguiu. "De forma milagrosa apareceu no coro das monjas e concretizou o primeiro desejo da vida. Teve de fazer o processo normal das regras comunitárias. Há situações que lhe são postas a nível da obediência para a testar. Uma outra da impossibilidade que se conta é a de uma videira que estava seca e que a Superior a mandou regar e, pela persistência dela, a videira voltou a rejuvenescer e frutificar. No momento da morte há uma outra impossibilidade que dá testemunho desta fé inquebrantável. Estava em janeiro, no leito de morte, lembrou-se de pedir a uma prima uma rosa do jardim de Roccaporena, o povoado de onde era natural. A prima estranhou o pedido e pensei haver já alguma perturbação psicológica. Por seu janeiro, na alta montanha e estar tudo coberto de neve, descobrir uma rosa parecia impossível, mas foi e a prima trouxe-lhe a flor", acrescenta o padre Jorge Soares, complementando: "Já em vida era consagrada pelas pessoas como a advogada das causas impossíveis, porque foram várias ao longo da sua existência. Superou todas as dificuldades e nunca se deixou abater perante a barreira que parecia impossível de ultrapassar, apoiando-se sempre no amor a Jesus Cristo".

A exultação da devoção de Santa Rita de Cássia foi passando oralmente de geração em geração ao longo dos séculos. No local de Mão Poderosa, em Ermesinde, a lenda dos milagres impossíveis chegou pela mão da ordem dos Religiosos Eremitas Descalços de Santo Agostinho no início do Século XVIII, e foi ganhando cada vez mais fiéis e aumentando os relatos dos poderes divinos, acabando a Igreja Católica por lhe conceder a beatificação em 1900. Nessa altura, já o Santuário Diocesano de Nossa Senhora do Bom Despacho e de Santa Rita era um local de peregrinação procurado por milhares de crentes todos os anos, confiantes de que as preces seriam atendidas e as promessas cumpridas.

E, neste fim de semana, a fé que tanto caracterizou Santa Rita em vida vai ser celebrada pelos mais fiéis seguidores numa romaria, que se prolonga por três dias. As cerimónias religiosas iniciam-se sábado à tarde (16.30 horas), com a primeira Eucaristia, seguindo-se, mais à noite (21 horas), o concerto na igreja, que este ano está a cargo da Banda Musical de São Martinho do Campo. Domingo realizam-se várias missas ao longo do dia, mas o momento mais esperado pelos devotos está marcado para as 17 horas, quando o andor com uma réplica da imagem da santa - a original fica no altar - e o crucifixo com uma relíquia de Santa Rita de Cássia, oferecida pelo Postulado Geral da Ordem de Santo Agostinho, de sair do santuário e se der início à procissão.

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