Conteúdo Patrocinado

Sustentabilidade do planeta debatida na conferência S.A.B.E.R.

Sustentabilidade do planeta debatida na conferência S.A.B.E.R.
Produzido por:

O município de Valongo promoveu a Semana da Energia e do Ambiente com diversas atividades espalhadas por todo o concelho, entre elas a conferência S.A.B.E.R. (Sustentabilidade Ambiente Biodiversidade Energia e Recursos Naturais), que decorreu na quarta-feira à tarde, no Fórum de Ermesinde.

Na data em que se assinalou o Dia Mundial do Ambiente, a Junta de Freguesia de Ermesinde promoveu um debateu sobre a sustentabilidade, o ambiente, a biodiversidade, a energia e os recursos naturais, que reuniu um painel de vários especialistas nas diferentes áreas para abordarem a temática da importância da preservação do planeta Terra e de como devemos aprender a gerir melhor tudo o que ele nos dá.

José Manuel Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Valongo, abriu a conferência alertando os participantes para "a necessidade de mudar os comportamentos, porque o planeta há muito tempo que dá sinais e a situação vai piorar cada vez mais", recordando que "hoje em dia o objetivo de vida das pessoas é ter muitas coisas e comer muito", um pensamento materialistas que é urgente alterar.

Da parte da autarquia estão a ser levadas a cabo várias iniciativas para mudar os hábitos da população, em especial junto dos mais jovens. "O trabalho está a ser feito junto das crianças, que têm um forte peso junto dos pais e avós, mas estas medidas têm de ser globais", salientou o edil valonguense, anotando que a politica ambiental municipal tem passado pela implementação de vários projetos, como a plantação de mais de 17 mil árvores ou a limpeza junto aos rios Leça e Ferreira.

Os especialistas Jorge Paiva (biólogo do Center for Functional Ecology - Science for People & the Planet), Josué Morais (engenheiro e formador do IXUS - Formação e Consultadoria. Renovus, Soluções de Energia, Lda), Diana Nicolau (bióloga e técnica de Educação Ambiental da Lipor), Mariana Roldão (Fundação Serralves), José Alberto Rio Fernandes (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), Elisabete Moura (Águas de Valongo), Pedro Moreira (Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto), Pedro Macedo (Universidade de Lisboa e Climate Reality Leadership Corps) e José Fidalgo (coordenador da unidade de investigação do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião Local da Universidade Católica) foram os oradores convidados da conferência S.A.B.E.R., tendo começado por fazer apresentações sobre as diversas temáticas, respondendo, posteriormente, a questões colocadas pelos participantes, num debate moderado por Alexandre Lima, professor do departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

De entre as intervenções, destaque para a do cientista Jorge Paiva, que alertou a assistência para a importância da biodiversidade na sobrevivência do Homem no planeta Terra. "Todos sabemos que o nosso corpo que tem vários motores. O coração é um deles, está sempre a bater e não pode parar. Quando para, morre-se. Se o coração é um motor, tem de haver um combustível para que funcione. Esse combustível é a comida, que não é de plástico, nem as pedras, mas os produtos vegetais, animais e de outros seres vivos", explica o biólogo, avançando: "Qualquer pessoa entende que se não os protegermos e eles desaparecerem, também nós vamos desaparecer, por ficarmos sem combustível".

Para a sobrevivência da espécie humana, Jorge Paiva salienta que é essencial a preservação das florestas tropicais, que define como "os ecossistemas terrestres de maior biodiversidade e o pulmão do planeta", que estão a ser derrubadas a uma grande velocidade". "Por cada 11 segundos desaparece uma área equivalente a um relvado de um campo de futebol. Neste momento, só temos 20 % da floresta que havia quando o Homem surgiu na Terra e sem ela não vamos conseguir sobreviver", apontou o biólogo do Centro de Ecologia Funcional, recordando que "sem a biodiversidade não comíamos, não nos vestíamos, não tínhamos medicamentos, luz elétrica, energia, etc".

Embora os sinais sejam alarmantes, em especial quando se constata que um quinto da população mundial consome cerca de 80% dos bens produzidos pelo planeta, os especialistas acreditam que ainda é possível travar o desbravamento selvagem e encontrar soluções mais sustentáveis para proteger o que ainda resta e salvaguardar a continuidade da espécie. O planeta sobreviverá, mas, se não se agir já, o Homem poderá ser extinto da face da Terra.