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Escolas mostram teatro em Valongo

Escolas mostram teatro em Valongo
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A terceira edição da Mostra de Teatro Escolar (MOSTRA TE) de Valongo, que começou na passada terça-feira e termina este domingo, leva a palco dez espectáculos protagonizados por mais de 200 alunos de escolas do concelho.

Ao longo dos seis dias da MOSTRA TE, os estudantes do ensino básico e secundário de Valongo são instigados a exibir os dotes na arte nobre de subir ao palco e dar vida a um personagem, graças a uma iniciativa conjunta entre a Câmara Municipal, o Agrupamento de Escolas e a companhia de teatro "Cabeças no Ar e Pés na Terra".

"São dez espectáculos de teatro a acontecer em todos os centros culturais de Valongo. Cada freguesia tem pelo menos uma sala de espectáculos e vamos ocupar todos esses locais com os jovens que estão a fazer teatro nas escolas através do apoio de profissionais da "Cabeças no Ar e Pés na Terra", que estão a encenar cada um grupo. São cerca de 200 os alunos que vão a palco esta semana e se apresentam ao público, num contexto quase profissional", explica Hugo Sousa, 42 anos, diretor artístico da companhia de teatro e da MOSTRA TE.

O responsável pela organização anota que já existiam alguns grupos de teatro nas escolas, contudo "faziam apresentações no contexto escolar". "Ao fazermos isto em conjunto com a Câmara Municipal estamos a dar a oportunidade aos jovens de estarem num contexto mais profissional e num espectáculo real, com público", justifica Hugo Sousa.

Segundo o diretor artístico, "o aspeto visível do iceberg é o espectáculo que vai a palco". "Depois temos toda a parte invisível, que é o trabalho feito nas escolas, que, mais do que a construção do ator em si, ter a ver com a construção da pessoa, para os jovens perceberem todos os seus instrumentos de trabalho. Para se ser ator precisamos de falar, de andar, precisamos de saber como estamos a transmitir sensações e ideias às outras pessoas. Todos os profissionais que estão nas escolas então a tentar que os jovens percebam como funciona o seu corpo, a sua voz, que são os instrumentos de trabalho de um ator", acrescenta.

E, em três anos de MOSTRA TE, são muitos os jovens que trabalham com os profissionais da companhia há alguns meses, pelo que já têm uma noção diferente do que é fazer teatro. "Já percebem a repetição que é necessária no teatro, o esforço para ficar perfeito, o tentar chegar àquela palavra dita daquela forma para passar aquela ideia e já não têm a ideia da facilidade que é chegar à televisão dizer qualquer coisa e ficar famoso", refere Hugo Sousa, reconhecendo, contudo, que alguns "podem ter essa ilusão de fazer trabalhos em televisão ou no cinema". "Nunca sabemos o que pode sair daqui. Podem sair bons talentos para trabalhar noutras áreas artísticas", avança o diretor.

Para já, a principal preocupação do responsável "é formar pessoas com consciências corporais, consciência de voz, consciência humana e de grupo, pois o teatro implica muito o coletivo".

Sobre a mostra de teatro, Hugo Sousa salienta que, este ano, o evento "cresceu a vários níveis em relação ao do ano passado e um deles foi no acolhimento do grupo estrangeiro". "Vamos ter um grupo da Galiza a apresentar uma peça, neste sábado à noite, e um dos nossos grupos irá a Espanha", contou Hugo Sousa, anotando que outro dos pontos altos será o espectáculo de encerramento, que envolve elementos de todos os grupos que estiveram presente no MOSTRA TE e que vão subir ao palco para contar a história do Teatro.

Papel pedagogico-didáctico

Paula Sinde, diretora do Agrupamento de Escolas de Valongo, defende o papel pedagógico que as aulas de teatro têm na vida académica dos alunos. "Mais além do que o teatro, a expressão dramática é fundamental. Embora seja sempre bonito ver o trabalho final, mais importante do que a peça de teatro é tudo o que eles ganharam com o trabalho que foram fazendo, a expressão dramática, o exporem-se, que é muito difícil, o encontrarem-se a eles mesmo", frisa a docente, salientando que "a própria questão da leitura e da escrita ficam extremamente enriquecidas com tudo isto". "Tem um papel pedagógico-didáctico fantástico", acrescenta a professora.

A diretora do agrupamento recorda que já tinham um grupo de teatro na secundária de Valongo e na escola básica de Sobrado. No entanto, anota que com esta parceria com a autarquia e a companhia de teatro "o trabalho foi enriquecido, pois são pessoas dentro da arte que estão a trabalhar com os professores que orientam os alunos".

Ao contrário da ideia de que as atividades extracurriculares prejudicam a prestação académica, Paula Sinde defende que o teatro "é extremamente benéfico para os alunos". "Verifica-se, que são alunos muito mais organizados, muito mais preparados, não só para todo o trabalho académico, como para o outro. É uma mais-valia para a sua formação e é fundamental, pois aprendem a ser felizes e a gostarem do que fazem. A subida ao palco é a exteriorização de uma satisfação interior que lhes fica para o resto da vida", reforça a docente.

Talvez por isso, não seja difícil chamar os alunos para esta arte. "Este trabalho é muito rico, não só para os se apresentam na peça, mas em todo o trabalho que há por trás nos bastidores. Podemos envolver os alunos não só na representação, mas em todo o trabalho de preparação", finaliza a professora.

Ferramenta para o futuro

Todo o trabalho desenvolvido pelas escolas e pela "Cabeças no Ar e Pés na Terra" só é possível devido à ajuda da Câmara Municipal, que olha para o teatro escolar com especial cuidado. "Vemos esta aposta como mais uma ferramenta de ajuda a todo o percurso escolar. Achamos que o teatro escolar pode ajudar a dar mais autonomia aos nossos jovens e eles demonstram isso, neste momento, na MOSTRA TE. É um trabalho desenvolvido ao longo de muito tempo e que culmina durante esta semana", anota o edil José Manuel Ribeiro, recordando que em paralelo decorre, até 26 de maio, a Mostra de Teatro Amador do concelho.

"Acarinhamos muito o investimento na cultura, porque é ele que nos dá ferramentas para o futuro. É esta a melhor forma de salvaguardarmos a nossa identidade. Pessoas com forte identidade e com autonomia são pessoas mais felizes e com outra atitude perante os desafios da vida", completou o autarca.

Agenda da MOSTRA TE

3 de abril - "(não) ao futuro", encenada pela Escola Secundária de Alfena, no CC Alfena.

3 de abril - "Não é por lá, é por aqui!", encenada pela Escola Secundária de Valongo, na Sala das Artes.

4 de abril - "O livro mágico de Alice", encenada pela Escola Básica de Sobrado, no Centro de Documentação da Bugiada e Mouriscada.

4 de abril - "João Sem Medo", encenada pela Escola Básica de Vallis Longus, na Sala das Artes.

5 de abril - "Sistema", encenada pela Escola Secundária de Ermesinde, no Fórum Cultural Ermesinde.

6 de abril - "A Sabedoria da Simplicidade", encenada pela Escola Básica e Secundária de Campo, no Centro Cultural de Campo.

7 de abril (15.30 horas) - "História de um Papagaio", encenada pela Escola Básica de S. Lourenço, no Fórum Cultural Ermesinde.

7 de abril (15.30 horas) - "O pequeno Imperador", encenada pela Escola Básica de D. António Ferreira Gomes, no Fórum Cultural Ermesinde.

7 de abril (21.30 horas) - "A Taberna do Chato", encenada pelo Teatro do Porviso, CPI dos Dices-Rois Galiza (Espanha), no Fórum Cultural Ermesinde.

8 de abril (19 horas) - "Espectáculo de encerramento", encenado por elementos de todos os grupos de teatro de escola e convidados, no Fórum Cultural Ermesinde.