08.12.2019

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Bigodes há muitos, mas estes, em Ílhavo, têm história

Bigodes há muitos, mas estes, em Ílhavo, têm história

Atrás de cada bigode há uma história. O de José Simão, de Arcozelo da Serra, Gouveia, eleito sábado à noite o melhor bigode sénior no 29.º aniversário dos Bigodes de Ílhavo, anda com ele há 47 anos, desde que chegou de Angola ao encontro da mãe. "Ela disse que ficava bem" e ele nunca mais o cortou. Aos 60 anos, tornou-se a sua "marca".

O de Arlindo Tente, pastor de 61 anos, de Gouveia, dá seguimento a uma tradição. O avô e três tios tinham e ele, para mostrar o "orgulho" na família, deixou-o crescer mal fez 15 anos.

O de Alfredo Silva, 93 anos, de Bonsucesso, Aveiro, o bigode mais antigo do convívio, "nasceu na Venezuela" e já foi cortado várias vezes. Traz-lhe boas recordações: "Na minha juventude, as meninas gostavam muito do meu bigode".

Entre os 170, vindos de várias localidades da região centro para conviver e tentar um lugar no pódio dos melhores bigodes, esteve, também, o de Eduardo Labrincha, de Ílhavo. Anda com o antigo funcionário público desde 1971, quando esteve destacado na Guiné, durante a guerra do Ultramar. A mulher já "ameaçou" cortá-lo durante a noite, mas faz as delícias da neta e, aos 70 anos, é já a sua "imagem", por isso, fica.

Ricardo Sequeira, 24 anos, começou a cultivá-lo há ano e meio, com o apoio da mulher e desafiando a vontade da mãe. A cuidá-lo, o operador de posto de abastecimento gasta, em média, meia hora por dia, entre lavagens, bálsamos, cera, secar e dar forma.

Daniel Sousa, de 16 anos, o bigode mais jovem, deixou-o crescer por incentivo do pai só para ir ao encontro. Mas entre a maioria dos convivas, o pelo por cima da boca é levado muito a sério. "Tem história e regras", explica Rui Monteiro, 59 anos, da Associação de Bigodes de Viseu. "Antigamente, era sinal de respeito. Polícias e bombeiros, por exemplo, costumavam ter bigode. Não pode passar do canto da boca para baixo", diz. Foi por isso que o do presidente da junta, João Campolargo, foi "desclassificado". Mas isso não lhe tirou a "alegria" ou o desejo de que o evento se venha a tornar "o maior do país".

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