O Jogo ao Vivo

17.10.2020

Lisboa

Centenas de pessoas fazem fila em manifestação pelo apoio às artes

Centenas de pessoas fazem fila em manifestação pelo apoio às artes

Algumas centenas de pessoas juntaram-se este sábado numa manifestação em fila em Lisboa, organizada pela associação Circuito, em representação de 27 salas de programação de música de todo o país, para sensibilizar para a importância dos espaços culturais e a necessidade de apoios.

Em Lisboa, a fila começou a formar-se à porta do Lux-Frágil, pouco antes das 15 horas, e chegou ao Campo das Cebolas por volta das 17 horas, com Gonçalo Riscado, da Circuito, a admitir à agência Lusa que o "sonho era chegar até ao Terreiro do Paço".

À semelhança do que acontece em Lisboa, a fila/manifestação está prevista acontecer igualmente no Porto a partir do Maus Hábitos, em Viseu do Carmo 81 e em Évora da Sociedade Harmonia Eborense.

A associação Circuito é constituída por 27 salas, entre as quais, além daquelas onde vai decorrer a manifestação, o Hot Clube de Portugal, a Casa Independente, o Musicbox, o RCA Club (em Lisboa), o Salão Brazil (Coimbra), o Barracuda e o Passos Manuel (Porto), o Bang Venue (Torres Vedras), a Casa -- Oficina os Infantes (Beja) e o Alma Danada (Almada).

De acordo com Gonçalo Riscado, só estas 27 salas "promoveram no ano passado mais de sete mil atuações musicais, envolvendo milhares de autores, intérpretes e outros profissionais do espetáculo, para mais de um milhão e duzentos mil espetadores".

"Estamos a chegar a uma situação de rutura e incapacidade de continuar a fazer as coisas", disse Gonçalo Riscado, admitindo que estão a viver "uma situação de emergência desde março", já que o trabalho que podem desenvolver "não sustenta os custos, apesar dos apoios que existem a nível nacional de lay-off, ou moratórias de rendas e empréstimos".

De acordo com o responsável, o setor "não tem medidas especificas", pelo que hoje as pessoas juntaram-se em diversos pontos do país para pedir que "haja atenção e investimento neste circuito" de forma a poderem continuar a fazer o seu trabalho.

"Sensibilizar de forma a podermos estar cá quando for possível voltarmos todos a viver com a dita normalidade ao vivo e fazer o nosso trabalho de programação que é muito intenso", lembrou.

Gonçalo Riscado lembrou que as 27 salas em questão "são muito pequenas e não funcionam com plateias sentadas", lembrando que numa altura normal podem estar três por metro quadrado, "agora é totalmente inviável em termos económicos poderem subsistir com o numero de pessoas que podem estar".

"Uma sala de 800 lugares não é viável economicamente só com venda de bilhete, tem de complementar a atividade com bebida e comida e horários alargados, o que não é permitido atualmente", afirmou.

No entanto, Gonçalo Riscado frisou que os espaços não queriam funcionar com menos pessoas, lembrando que não se querem sobrepor às normas de saúde instituídas.

"Queríamos funcionar e com menos pessoas, não, isso é muito importante. Não questionamos nenhuma decisão técnica de saúde pública, não temos capacidade nem conhecimento, é fundamental proteger este setor e que o discurso político não seja de desvalorização e estigmatização", sublinhou.

As pessoas na fila guardavam as distâncias de segurança propostas pela organização e todas usavam máscara. Ora sozinhas ou em grupos de não mais de três pessoas, ouvia-se de alguns telemóveis a 'rádio Circuito' com uma emissão feita diretamente do Lux Frágil que foi dando música aos que estavam na fila, sendo visível muitas pessoas a dançar.

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