28.11.2020

Confinamento

Há luzes de Natal em Lisboa, mas ninguém para as ver

Há luzes de Natal em Lisboa, mas ninguém para as ver

Lisboa anoiteceu, este sábado, quase sem pessoas nos passeios nem carros na estrada, com os poucos condutores que, com ou sem justificação, furaram o recolher obrigatório a ser parados apenas pelos semáforos. Com a Grande Lisboa em confinamento a partir das 13 horas e a circulação entre concelhos proibida até às 5 horas de quarta-feira, 2 de dezembro, o silêncio tomou conta da capital, animada somente por iluminações de Natal sem público.

No Chiado, onde se situam algumas das lojas habitualmente mais procuradas por lisboetas e turistas, o ar condicionado de uma habitação era, pelas 18 horas deste sábado, audível da rua. No café "A Brasileira", ponto de referência de guias turísticos, a estátua de Fernando Pessoa jazia sozinha, sem ter por perto a esplanada que ali habitualmente existe. Num restaurante próximo, duas funcionárias suspiram por clientes que não chegam e que, tal como determina a lei, são atendidos à porta.

O silêncio que substitiu o fervilhar de uma época sem covid-19 é apenas interrompido, de meia em meia hora, pela música que, de forma quase inusitada, sai de uma das iluminações, e que, dada a ausência de pessoas e carros, quase parece, aos poucos que passam, a melodia saída de um rádio ou de uma "app" de um telemóvel.

"Embora haja espírito natalício nos edifícios, não há espírito natalício nas ruas", desabafa, ao JN, Mafalda Ferreira, de 21 anos, que ali reside e trabalha. Na companhia de Anastácia, de 22 anos, espreita as montras de lojas fechadas, numa Rua Garrett bem mais triste do que habitualmente. "Lisboa é uma cidade constantemente alegre e agora o ambiente está mais pesado", lamenta.

No Rossio, o cenário é semelhante. Apesar das luzes nas árvores e na fachada do Teatro D. Maria II, contam-se pelos dedos das mãos as pessoas que passeiam pela Praça D. Pedro IV, tradicionalmente palco de um minimercado de Natal, este ano inexistente. Entre os poucos transeuntes, está Luís Galvão, de 36 anos, residente no Porto e que viajou até à capital para passar o fim de semana com a filha. "Só para sairmos um pouco do hotel", justifica.

Em direção ao rio Tejo, o cenário é ainda mais desolador. No Terreiro do Paço, um casal passeia um cão ao som da água que bate no Cais das Colunas... e da canção que um jovem trauteia não muito alto mas o suficiente para qualquer pessoa que ali passar ouvir. Ao fundo, já perto do Arco da Rua Augusta, só a tradicional árvore-de-Natal faz, imponente, lembrar a época festiva. Mas, desta vez, não há ninguém para a fotografar e mostrar nas redes sociais.

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