06.03.2019

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Vinho do Porto tem novo museu virado para o rio

Vinho do Porto tem novo museu virado para o rio

Nunca o rio esteve tão perto do vinho do Porto, que na terça-feira encetou um capítulo novo na sua longa história, que será agora vivida de maneira sensorial no coração da Zona Histórica.

A inauguração do Museu do Vinho do Porto, um edifício de seis pisos assinado pelos arquitetos Camilo Rebelo e Cristina Chicau [ler entrevista ao lado] com entrada polivalente - pela Reboleira, rua de trânsito local e estruturante; e pelo Muro dos Bacalhoeiros, na Ribeira, espécie de varanda sobre o rio Douro - é uma ode à cultura líquida da cidade e ao seu principal símbolo: o vinho.

Mas desta vez, ao contrário do que acontecia no equipamento que desde 2004 estava instalado no Armazém do Cais Novo, na zona de Massarelos, os visitantes vão poder não apenas conhecer a história mas também prová-la. Entre desenhos, documentos, maquetas de barcos rabelos de 1960, aparelhos de metrologia e aferição, estudos preparatórios das pinturas a óleo de Francisco José de Resende, artista do Porto de meados do século XIX, e muitos outros objetos selecionados das coleções municipais, haverá 700 rótulos de vinhos de várias origens para degustação.

"O museu procura contar uma narrativa em que se cruza a história do município com a história do vinho do Porto", explica Inês Maria Spratley, chefe de Divisão Municipal de Museus. "O município teve uma intervenção grande em todo o comércio do vinho, nomeadamente através de alguns oficiais municipais". Em certo sentido é também o papel do vinho do Porto no desenvolvimento da cidade que ali é contada.

Única fachada negra

O prédio de seis pisos e cor propositadamente negra (como as garrafas de vinho do Porto), ponto decisivo na paisagem, que durante mais de duas décadas foi morada do Centro Regional de Artes Tradicionais, estava abandonado e à beira de ser vendido. Foi o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, quem travou a venda do imóvel e decidiu que ali deveria ser edificado o museu. "É fundamental manter a presença pública e cultural num Centro Histórico que se foi transformando num espaço privado", afirmou, ao JN.

Além da experiência museológica, o espaço oferece, no bar e na cave com uma "garrafeira-santuário", como a define o arquiteto, uma experiência vínica. Do outro lado da rua da Reboleira, num outro espaço, serão promovidas exposições temporárias, formações e oficinas. A primeira acontece já no domingo.

O museu representa um investimento de 128 mil euros e estará aberto de terça a domingo, entre as 10 horas e as 17.30 horas.

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