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Acidentes/Tua: Instituto dos Transportes interditou cirulação por tempo indeterminado

Acidentes/Tua: Instituto dos Transportes interditou cirulação por tempo indeterminado

Bragança, 29 Ago (Lusa) - A circulação na linha do Tua está proibida até ao Cachão e só poderá ser restabelecida por decisão do Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT), independentemente do resultado do inquérito ao acidente de há uma semana, segundo fonte daquele organismo.

De acordo com a fonte, a interdição aplica-se não só às viagens comerciais, mas também aos comboios de serviço, nomeadamente as chamadas Dresinas que fazem a manutenção da linha e que só podem circular com autorização prévia.

O Instituto emitiu uma nova Instrução Complementar de Segurança (ICS), na sequência do acidente de 22 de Agosto, que fez uma vítima mortal, e que vigora por tempo indeterminado.

Segundo a ICS nº 49/08 a que a Lusa teve acesso, "a partir de 22 de Agosto fica interdita a circulação no troço da Linha do Tua entre a estação do Tua e a estação do Cachão exclusive".

Na estação do Cachão continua a haver movimento já que o metro de Mirandela é o concessionário deste percurso de 15 quilómetros (entre o Cachão e Mirandela) e prossegue com as viagens.

O IMTT é a entidade que supervisiona o sector dos transportes e que terá a última palavra sobre as condições de circulação da linha.

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Segundo a fonte, "o Instituto está a acompanhar a situação", no âmbito das suas competências, mas "não integra qualquer comissão de investigação ao último acidente".

Além da sua acção fiscalizadora, o IMTT pode também disponibilizar, se lhe for solicitado, apoio técnico.

O Instituto analisará os resultados das investigações da informação que solicitar aos responsáveis pela linha e determinará se existem ou não condições para retomar a circulação.

Para a linha reabrir terá de ser emitida uma nova instrução de segurança.

Esta é a segunda vez que o IMTT interdita a circulação na linha do Tua e há poucos meses ameaçou mesmo encerrar a via.

O IMTT fez um ultimato, em Março, à REFER, CP E LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) por estas entidades se atrasarem na entrega dos estudos exigidos.

O Instituto concedeu uma licença provisória de circulação que permitiu que a linha reabrisse com condicionalismos em Janeiro, depois de quase um ano encerrada, desde o acidente de Fevereiro de 2007, em que morreram três pessoas.

As entidades envolvidas no processo não cumpriram o prazo que o IMTT exigia para a entrega dos estudos sobre as condições e intervenções necessárias.

Depois de ameaçar interditar novamente a circulação, o IMTT prorrogou o prazo por mais um mês e a autorização de circulação manteve-se até ao acidente de 22 de Agosto.

A circulação está novamente proibida e só poderá ser retomada por decisão do IMTT, depois de analisados, nomeadamente os resultados do inquérito, que deverão ser conhecidos até ao final de Setembro.

Em 120 anos, a única vítima mortal de que há registo na linha do Tua foi o seu fundador, Abílio Beça, que morreu trucidado por uma locomotiva a vapor, na estação de Salsas (Bragança) quando subia para o comboio em movimento.

A linha do Tua ligava Bragança à linha do Douro e foi desactivada na sua maior parte, entre Bragança e Mirandela, em 1992.

Poucos anos depois, perante a ameaça do encerramento dos restantes 60 quilómetros, o Metropolitano Ligeiro de Superfície de Mirandela acorda com a CP disponibilizar carruagens para fazer o percurso até ao Tua.

Depois do último acidente, o presidente do Metro de Mirandela, José Silvano, questiona se estas carruagens serão as mais adequadas à linha centenária.

Durante quase uma década pouco se ouviu falar da linha até ao acidente de 12 de Fevereiro de 2007, quando uma automotora foi empurrada por um desabamento de pedras para o rio Tua, causando a morte a três pessoas.

A via esteve encerrada durante quase um ano e, desde que reabriu no final de Janeiro, sucederam-se três acidentes.

No mesmo período têm sido vários os que publicamente defendem a manutenção desta via estreita considerada das belas do mundo.

Sobretudo desde que foi decidida a construção da barragem de Foz Tua, que vai submergir parte da linha, pelo menos, os últimos 15 quilómetros e os mais atractivos turisticamente.

HFI.

Lusa/fim

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