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Casos de melanoma têm aumentado nos Açores

Casos de melanoma têm aumentado nos Açores

Os casos de melanoma (cancro de pele) nos Açores "têm aumentado" devido a uma exposição solar exagerada, alerta Patrícia Santos, directora do Serviço de Dermatologia do Hospital de Ponta Delgada, que hoje realiza um rastreio gratuito.

"Os dados estatísticos revelam que tivemos 19 melanomas em 2005 no arquipélago e 21 em 2010, o que significa que tem vindo a registar-se um aumento lento e progressivo, mas sempre numa tendência crescente", frisou a especialista em declarações à Lusa, acrescentando que este tipo de cancro "é o mais agressivo e rapidamente pode levar à morte, caso não seja diagnosticado numa fase inicial".

Patrícia Santos indicou que os casos de melanoma nos Açores aparecem "tanto em homens como em mulheres", mas no sexo masculino "há mais propensão para que sejam localizados no dorso, enquanto no sexo feminino é mais frequente na perna".

A exposição solar exagerada é uma das principais causas do aumento de melanomas, alertando a especialista para as queimaduras solares de repetição, que fazem com que pessoas que apanharam queimaduras na infância comecem a sentir os efeitos a partir dos 30 ou 40 anos.

Nesse sentido, a responsável destacou a importância do rastreio que decorre hoje no Hospital de Ponta Delgada, no Dia de Prevenção do Cancro Cutâneo, incluído no programa europeu Euromelanoma 2011.

"O rastreio é muito importante para despistar sinais suspeitos e identificar pessoas pertencentes a grupos de risco, sensibilizando-as para hábitos de fotoprotecção, no sentido de se protegerem do sol, evitarem as queimaduras solares e comportamentos de risco", afirmou Patrícia Santos.

Entre outros conselhos, recordou que "as pessoas não devem ir à praia entre as 12.00 e as 16.00, devem fazer uma exposição gradual e progressiva" e que devem ter muito cuidado com as crianças, que não devem ir à praia com menos de um ano de idade.A especialista alertou ainda para os perigos dos dias nublados e ventosos, muito frequentes nos Açores, mas que aumentam o risco de queimaduras.

Lina Campos, 37 anos, foi uma das cerca de 100 pessoas que se inscreveram para o rastreio que hoje decorre no Hospital de Ponta Delgada, tendo referido à Lusa que pretende "ficar mais tranquila", já que possui "pele muito clara e com muitos sinais".

"Não tenho nenhuma alteração dos sinais, venho só para ouvir uma opinião médica porque, ao longo dos anos, apanhamos alguns escaldões, apesar de ter sempre cuidado", afirmou.

Sónia Borges, 32 anos, também se inscreveu e levou o filho de seis anos para que um especialista pudesse analisar os sinais que a criança tem. "Ficamos sempre preocupados. Eu já removi um sinal e vim ver se está tudo bem", disse.

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