Operação "Periferia"

Vacinação nos Açores é um "sinal" para a UE, diz governo regional

Vacinação nos Açores é um "sinal" para a UE, diz governo regional

O presidente do Governo dos Açores considerou, esta segunda-feira, que Portugal assegurou uma "superioridade moral e política" ao dar um "sinal" à União Europeia com a promoção de uma discriminação positiva da vacinação naquela região ultraperiférica.

"Fica aqui a lição de que é preciso densificar o entendimento das ultraperiferias dos Estados-membros que têm regiões ultraperiféricas (RUP) e, Portugal, na minha humilde opinião, assegurou uma superioridade moral e política quando, na presidência da União Europeia (UE), deu este sinal", defendeu José Manuel Bolieiro.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, acompanhado pelo ministro da Defesa e pelos coordenadores nacional e regional das "task force", visitaram esta segunda-feira, na ilha de Santa Maria, o centro de vacinação instalado no quartel dos bombeiros voluntários de Vila do Porto.

A deslocação a Santa Maria integra-se no âmbito da Operação "Periferia", que prevê a vacinação de todas as ilhas dos Açores sem hospital, à exceção da ilha do Corvo, cuja população já foi vacinada em massa.

De acordo com o governante, "será pedagógico para os órgãos da governação da União [Europeia] poderem adotar para o futuro soluções com estas características".

O líder do executivo açoriano frisou que não se está a "criar um privilégio, mas a aproveitar, desde logo, um verdadeiro laboratório de ensaio em termos epidemiológicos", respeitando-se assim "aquela que é a fundamentação jurídica e política que o Tratado da UE assegura quanto ao tratamento diferenciado das RUP face aos seus constrangimentos inultrapassáveis".

José Manuel Bolieiro referiu que, com o "alcance mais rápido das ilhas sem hospital com imunidade de grupo adquirida, o reforço do contingente normal, no caso da equidade para as restantes ilhas, Faial, Terceira e São Miguel, haverá a oportunidade de, pelos meios próprios da capacidade instalada do Serviço Regional de Saúde, ter-se aqui uma boa aportação em número de vacinas e operações para a vacinação".

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"Equidade nacional"

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, considerou que o processo de vacinação em massa a decorrer nas cinco ilhas dos Açores sem hospital mantém a "equidade nacional".

"Para nós era muito importante dar aqui esse testemunho de solidariedade, dar o apoio necessário para o trabalho necessário que o Governo Regional está a fazer no sentido de assegurar que os açorianos tenham todas as condições que precisam de ter e, nessa medida, mantém-se a equidade nacional, que é verdadeiramente aquilo que mais conta", declarou João Gomes Cravinho.

A Operação "Periferia" prevê a vacinação de 1872 pessoas em Santa Maria, aumentando para 4233 o número de pessoas inoculadas com a primeira dose nesta ilha, correspondente a 82,68% da população vacinável.

A ilha deveria ser vacinada em três dias, mas as autoridades sanitárias locais preveem que o processo termine ainda esta tarde.

Seguem-se no plano de vacinação em massa as outras ilhas dos Açores sem hospital, à exceção do Corvo, onde a população já foi toda vacinada, ou seja, Pico, São Jorge, Flores e Graciosa.

O arquipélago dos Açores conta presentemente com 294 casos positivos ativos, todos em São Miguel.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados nos Açores 5723 casos positivos de covid-19, tendo recuperado da doença 5266 pessoas e morrido 33.

"Desde 31 de dezembro de 2020 e até 4 de junho corrente, foram administradas nos Açores 146.999 doses de vacina contra a covid-19, correspondentes a 92.036 pessoas com 16 ou mais anos com a primeira dose e 54.963 pessoas com ambas as doses", no âmbito do Plano Regional de Vacinação, refere um comunicado.

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