Povoação

Homem morreu soterrado nos Açores a proteger a filha com um abraço

Homem morreu soterrado nos Açores a proteger a filha com um abraço

Um homem de 47 anos deu a vida pela filha, de quatro anos, quarta-feira à noite nos Açores. O homem morreu soterrado pelo deslizamento de terras em Faial da Terra, mas salvou a menina ao abraçá-la, protegendo-a da derrocada de lama e pedras, que matou três pessoas, incluindo dois irmãos órfãos.

A primeira vítima do deslizamento de terras, quinta-feira à noite, nos Açores, foi retirada dos escombros pelos vizinhos. Quando conseguiram chegar ao homem, de 47 anos, este já estava cadáver. Por baixo do corpo, encontraram a filha, uma menina de quatro anos, que sobreviveu, protegida pelo corpo do pai. A mulher e outras duas filhas, de 16 e 18 anos, estavam noutro andar e escaparam à derrocada de pedras e lama que soterrou o primeiro andar da casa.

Numa outra casa, que ficou totalmente soterrada pela enxurrada de pedras e lama, morreram dois irmãos, órfãos, com cerca de 30 anos. O corpo desta segunda vítima mortal foi recuperado cerca das 6 horas desta manhã de quinta-feira e o do outro irmão por volta das 9 horas.

Pouco depois, foram suspensas as operações, por receio de novos deslizamentos, em Faial da Terra, São Miguel, informou no local o presidente da Câmara da Povoação, Carlos Ávila.

Uma família de quatro pessoas que vivia numa das casas conseguiu sair pelos seus próprios meios, pela janela, disse Carlos Ávila.

Segundo explicou o vice-presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, Ricardo Barros, devido ao mau tempo houve um deslizamento de terras durante a noite no lugar de Burguete, freguesia de Faial da Terra, concelho da Povoação, tendo sido atingidas três casas.

No terreno estavam esta manhã bombeiros e viaturas das corporações da Povoação, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo e Ponta Delgada, além do Serviço Municipal de Proteção Civil.

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De acordo com o vice-presidente do Serviço Regional de Proteção Civil dos Açores, os trabalhos foram dificultados pela chuva intensa que continua a cair na zona.

Carlos Ávila acrescentou que a causa do deslizamento foi a "enorme quantidade de chuva" que hoje caiu durante todo o dia na ilha de S. Miguel e que se acentuou a partir das 17 horas. Por outro lado, disse, "a zona é propícia a isso", por ser "muito montanhosa" e a infiltração da chuva originar estes "movimentos de vertente".

Segundo o autarca, as três casas afetadas são "construções muito antigas", com cerca de cem anos, que estão "na base da vertente".

O presidente do Governo dos Açores acrescentou que além dos bombeiros, foram acionados meios da Secretaria Regional com a competência das obras públicas por causa de outras derrocadas no mesmo concelho que estão a afetar estradas.

O vice-presidente do Serviço Regional de Proteção Civil dos Açores disse à Lusa que no local estão bombeiros de todas as corporações da ilha de S. Miguel, à exceção do Nordeste, num total de "mais de 40 homens". Há ainda elementos do serviço municipal de proteção civil no terreno, afirmou.

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