Arouca

Estrada da morte reabre ao trânsito em Arouca

Estrada da morte reabre ao trânsito em Arouca

Duas semanas após a derrocada de terras que vitimou duas pessoas em Várzea, Arouca, a Estrada Nacional (EN 326) reabriu ao trânsito. A população considera a intervenção que foi realizada insuficiente e teme nova tragédia. Veja o vídeo

Os receios de uma nova derrocada, semelhante à que vitimou, no passado dia 29 de março, dois amigos que seguiam numa viatura na EN 326, estão a atormentar os moradores do Lugar de Caracuste e muitos dos condutores que por ali passam diariamente.

A via foi aberta por ordem da Estradas de Portugal (EP), mas a população e alguns autarcas locais não se mostram convencidos com a intervenção efetuada. No sítio da derrocada é ainda visível terra solta e algumas pedras que parecem ameaçar soltar-se a qualquer momento.

Também o acesso à parte superior da derrocada está facilitado. Não há qualquer barreira que impeça o acesso da população, incluindo crianças, ao local que se tornou motivo de curiosidade. Também não ostenta qualquer tipo de sinalização de aviso de perigo.

"Preocupa-me até que ponto foi acautelada a segurança da encosta", afirmou, ao JN, o presidente da Junta de Freguesia de Rossas, José Paulo Conceição.

O autarca daquela freguesia que faz fronteira com Várzea, onde aconteceu o acidente, tem outros receios. "O caminho [no topo] que foi tapado quando da construção da variante contínua perigoso e de fácil acesso", lembrou. "Mas eu não sou técnico", ressalvou o autarca lembrando, no entanto, que vai pedir à Estradas de Portugal o estudo técnico sobre a segurança no local.

Pode voltar a acontecer

A preocupação do presidente da Junta de Várzea é comungada por Manuel Brandão, irmão de uma das vítimas mortais. "Pode acontecer novamente. Não me parece que a intervenção ofereça segurança e pode haver uma nova tragédia", referiu.

Mas fonte da EP garantiu, ao JN, que não há perigo: "O local foi vistoriado e efetuadas as reparações necessárias à segurança da circulação. Está tudo em condições".

A mesma fonte lembrou ainda que o topo do talude onde se encontra cortado um antigo caminho "não é da responsabilidade da Estradas de Portugal". Contudo, aquele organismo colocou no local um sistema de drenagem de água após a derrocada.

O presidente da Câmara Municipal de Arouca, Artur Neves, diz-se convencido com as explicações da Estradas de Portugal, lembrando que cabe àquele organismo garantir a segurança do local. "Foram-me dadas garantias de segurança", lembrou o autarca.