Arouca

Fogo ameaça povoações e aproxima-se dos passadiços do Paiva

Fogo ameaça povoações e aproxima-se dos passadiços do Paiva

Uma casa foi afetada pelo fogo, durante a noite, no concelho de Arouca. Ventos na ordem dos 80 km/h dificultam trabalho dos bombeiros.

O dia não trouxe luz a Arouca. As chamas aproximaram-se da vila durante a noite, empurradas por ventos fortes. "Uma casa ficou danificada", disse Mário Silvestre, que está a comandar as operações de combate aos incêndios no distrito de Aveiro.

"Com o nascer do dia, vamos avaliar o perímetro do incêndio e definir a melhor estratégia de combate", disse Mário Silvestre, em declarações à rádio Antena 1. "As condições meteorológicas são bastante adversas, com ventos na ordem dos 70 a 80 quilómetros hora, durante toda a noite", acrescentou.

"Ventos inconstantes que, que rodam a qualquer momento, o que em termos de combate é extremamente complexo, uma vez que tudo o que estamos a consolidar se pode perder de um momento para o outro", explicou Mário Silvestre.

Os mesmos ventos fortes podem impedir os meios aéreos, fundamentais ao combate, de levantar voo. "Nestas condições não é seguro", admite Mário Silvestre. O fumo intenso "não dá teto para os meios aéreos levantarem", acrescentou

A situação, ao amanhecer, permanecia complicada, depois de uma noite e madrugadas muito preocupantes. O presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, fala num cenário "dantesco", adiantando que percorreu 150 quilómetros dentro do concelho e encontrou "tudo rodeado de chamas".

O autarca disse que grande parte do concelho está a ser atingido pelas chamas, com exceção da parte mais próxima do litoral, afirmando que há várias povoações em risco.

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Em declarações à Lusa, o Artur José Neves disse que o fogo, que começou às 14:35 de segunda-feira nas freguesias de Janarde e Covelo de Paivó, "está a galgar quilómetros num perímetro louco".

"Só o lado poente, na direção do litoral, é que não está a arder. Do resto arde tudo. E com a ventania que está, não vai escapar nada", afirmou José Artur Neves, mostrando-se "muito apreensivo".

O autarca referiu ainda que há "uma imensidão de povoações" que estão em risco, identificando algumas aldeias e lugares como Tebilhão, Cando, Cabreiros, Vilarinho, Mealha, Gamarão de Baixo e Gamarão de Cima.

"Estou a percorrer estradas ao longo dos lugares e das freguesias e vejo toda a gente na rua, porque está tudo com certeza assustado", adiantou o presidente da Câmara de Arouca.

O comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Aveiro, José Bismarck, informou que o fogo "continua desfavorável", mantendo três frentes ativas, e disse que será necessário evacuar algumas povoações.

"Estamos de forma preventiva a tratar de retirar algumas pessoas das suas casas, nomeadamente aquelas que têm deficiência ou maior dificuldade de locomoção", adiantou o responsável.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), atualizada às 00:00, este incêndio está a ser combatido por 220 homens e 69 meios terrestres.

Aveiro, com cinco incêndios no quadro das "ocorrências importantes" (com duração superior a três horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos), é o distrito que tem mais operacionais no combate às chamas -- 742.

No concelho de Águeda, distrito de Aveiro, 336 homens e 101 viaturas estão a combater um incêndio que já esteve dominado, mas que voltou a estar ativo durante a madrugada devido ao vento forte.

Em declarações à Lusa, o comandante dos Bombeiros de Ílhavo, Carlos Mouro, que está a coordenar as operações no terreno, disse que este fogo continua com quatro frentes, mas aquela que avança em direção a Águeda "está quase controlada".

"Continua a prosseguir, mas sabemos que com tempo vamos apagá-la", afirmou o responsável.

Ainda no distrito de Aveiro, em Albergaria-a-Velha, um incêndio que também surgiu de uma reativação baixou para uma frente, mas a situação poderá complicar-se durante a madrugada.

"O fogo começou a ceder aos meios ao fim do dia, mas agora estão a surgir reativações extremamente violentas porque está tudo muito quente e o vento está outra vez a ficar mais forte", disse o comandante dos Bombeiros de Albergaria, José Valente.

O mesmo responsável referiu que os meios são escassos para cobrir uma área que "é extremamente grande", adiantando que estão a concentrar esforços "principalmente nas zonas habitacionais e a fazer a proteção das casas".

José Valente deixou ainda um apelo às pessoas para se manterem "vigilantes, seguirem as indicações que lhes são dadas e colaborarem no combate, sempre mantendo a segurança de cada um".

Segundo a página da ANPC, este incêndio está a mobilizar 63 homens e 19 meios terrestres.

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