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PSD Arouca quer que José Artur Neves deixe Assembleia Municipal devido a Operação Éter

PSD Arouca quer que José Artur Neves deixe Assembleia Municipal devido a Operação Éter

O PSD de Arouca defendeu esta quarta-feira que o socialista José Artur Neves deve abandonar a Assembleia Municipal por ser arguido no âmbito da Operação Éter, sobre alegados crimes de corrupção envolvendo a entidade Turismo do Porto e Norte.

Para a estrutura social-democrata dessa autarquia no distrito de Aveiro, o ex-secretário de Estado da Proteção Civil deve ser afastado da Assembleia Municipal - para a qual foi eleito em 2017 e à qual preside desde então - porque a investigação do Ministério Público "incide sobre o período em que ele era presidente da Câmara Municipal de Arouca e refere procedimentos relativos a ajustes diretos".

O PSD vem, por isso, "apelar" ao autarca que chefiou o executivo da câmara entre 2005 e 2017 "para que equacione a sua permanência nos órgãos autárquicos de Arouca até que o caso seja julgado", até por uma questão de "coerência".

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"No dia em que foi constituído arguido no badalado caso das golas antifumo, também relacionado com supostos ajustes diretos incorretos, José Artur Neves pediu imediatamente a sua demissão desse cargo. Em coerência com a sua atitude, apelamos a que aja em consonância e conformidade também no presente caso, que respeita aos arouquenses e, consequentemente, também ao interesse público", defende fonte oficial da concelhia social-democrata.

O PSD realça que respeita "a presunção de inocência até ao trânsito em julgado", mas diz não poder aceitar "que um político aja de uma forma em termos nacionais e de outra em termos locais".

Contactado pela Lusa, José Artur Neves declara: "A minha consciência é que determina as minhas ações e não é o PSD de Arouca que as condiciona".

Referindo que a posição dos sociais-democratas "não apaga o sucesso" do trabalho desenvolvido em Arouca pelo PS, o ex-governante critica, aliás, a postura da concelhia "laranja".

"É de um profundo desrespeito para comigo e para com todos os presidentes de câmara que, na matéria em causa [lojas de turismo interativas], fizeram o que lhes competia para servir as suas populações e o desenvolvimento turístico da região Norte, no estrito cumprimento da lei".

José Artur Neves deixa, por isso, o aviso: "Podem esperar sentados porque nada temo quanto ao desenvolvimento do processo. Não percebo por que razão estão nervosos quando eu estou muito sereno".

Iniciada pela Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, a Operação Éter está relacionada "com a presumível prática reiterada e continuada da viciação de procedimentos de contratação pública" mediante a atuação concertada de quadros dirigentes da entidade Turismo do Porto e Norte de Portugal.

Estará em causa "um esquema generalizado de viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto, com o desiderato de favorecer primacialmente grupos de empresas, contratação de recursos humanos e utilização de meios públicos, com vista à satisfação de interesses de natureza particular".

Segundo noticiou a 28 de outubro o jornal I, José Artur Neves foi constituído arguido no âmbito das investigações em torno da Operação Éter, numa parte que o Ministério Público mandou investigar separadamente sobre as lojas interativas de turismo das autarquias do Norte.

No mesmo dia, fonte relacionada com a Operação Éter disse à Lusa que a procuradora responsável pelo processo considerou que "ainda faltava investigação que não estava operada" e terá "mandado tirar certidão para instruir um processo à parte".

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