Ria de Aveiro

Pescadores não querem ostras onde apanham bivalves

Zulay Costa

Pescadores apanham especialmente berbigão na ria a norte de S. Jacinto

Foto Arquivo Global Imagens

Intenção de instalar produção na ria de Aveiro, a norte de S. Jacinto, gera revolta. Ministério diz que o processo não está fechado.

A Associação de Pesca Artesanal da Ria de Aveiro (APARA) contesta a possível instalação de uma área de produção de ostras na Ria de Aveiro, a norte de São Jacinto. O pedido, que consta de um edital da Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), visa ocupar uma área de 129 mil metros quadrados, o que impediria os pescadores de apanharem bivalves naquela importante zona.

A APARA, que esta semana já contestou a intenção, através de e-mail e carta registada à DGRM, não esconde a revolta pelo que chama de "privatização" de áreas de domínio publico marítimo. É mais um sinal do "ataque constante aos pescadores profissionais que, ao longo dos anos, veem os locais de pesca e captura de bivalves constantemente reduzidos", adianta, em comunicado. Nesse documento, explica que os pescadores "têm sido constantemente penalizados, em benefício de interesses de algumas entidades e sociedades comercias que, embora em menor número, têm conseguido obter os seus intentos sem que se tenha em conta aqueles que há anos e anos vivem do seu suor e daquilo que a Ria lhes dá".

Se a área de concessão for aprovada, os pescadores sofrerão uma redução numa importante área de apanha, sublinha a APARA. Aquela zona é um "banco natural de desenvolvimento de bivalves e espécies nativas da Ria de Aveiro", nomeadamente de berbigão, "fonte de rendimento de centenas de famílias", refere o presidente da associação, João Paulo Lopes, lembrando que a comunidade já tem sido penalizada por diversas interdições na ria.

A associação que representa os pescadores aponta que existem outras áreas para explorar, que não terão impacto para as comunidades piscatórias. "Com certeza haverá outros locais que podem ser concessionados, sem, contudo, prejudicar a pesca profissional e pôr em causa a preservação e conservação do meio marinho", garante. "Há salinas abandonadas em Aveiro, que até têm acesso por terra", que serviriam aquela finalidade, especifica João Paulo Lopes.

Em resposta ao JN, o Gabinete do Ministro do Mar referiu que a "APARA pronunciou-se em sede de consulta pública, prevista na lei, estando o processo em curso, e até à decisão final não há garantia de que o TAA [Titulo de Atividade Aquícola] solicitado seja atribuído".