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Comida em caixões simboliza "morte" dos restaurantes de Aveiro

Comida em caixões simboliza "morte" dos restaurantes de Aveiro

Dezenas de empresários de restauração percorreram as ruas de Aveiro, à hora de almoço deste sábado, em protesto pela obrigatoriedade de encerrar portas às 13 horas ao fim-de-semana.

A comida que deveria ter sido servida à mesa nos restaurantes de Aveiro, se fosse um sábado "normal", foi hoje colocada em embalagens e levada, pelas ruas, pelos empresários da restauração da cidade, num protesto contra a falta de apoios do Governo ao setor. Até porque a maior parte optou mesmo por nem abrir portas, por ser obrigado a encerrar às 13 horas. Os empresários dizem que os seus negócios estão "a morrer". Por isso, até com caixões desfilaram.

"Aos senhores ministros e ao presidente da República, queremos dizer que estamos a despedir pessoas que não têm dinheiro para dar de comer aos filhos. Não vamos conseguir pagar o IVA, porque estamos insolventes. O país vai precisar de nós e podemos não estar cá", alertou Daniel Cardoso, proprietário do restaurante Moloko e um dos impulsionadores do protesto. "Os nossos estabelecimentos cumprem todas as regras de segurança. Por isso, queremos trabalhar. Não estamos a contribuir para a propagação desta doença [covid-19]", sublinhou o empresário.

Em causa está a decisão do Governo de obrigar os restaurantes a encerrar portas, ao fim de semana, às 13 horas, e a alegada "falta de apoios ao setor", por parte do Estado. Daniel Gomes, proprietário do restaurante Maré Cheia e também organizador do protesto, diz que os empresários têm "noção da gravidade da pandemia" e que, na reunião de preparação do protesto, "houve pessoas maduras, a chorar, porque não têm dinheiro para manter os postos de trabalho e não têm dinheiro para comer". "O que faria o primeiro-ministro, se chegasse a um Conselho de Ministros e encontrasse os ministros a chorar? Queremos trabalhar, se houver condições para trabalhar. Se não houver, o Governo tem que nos ajudar. Não é termos as casas fechadas e virem-nos pedir para pagar os impostos. Não é exequível", deixou claro.

A permissão de abertura até às "15 ou 16 horas", a descida do IVA, a isenção da TSU e a disponibilização de apoios a fundo perdido são algumas das medidas requeridas pelos empresários da restauração, que também se queixam da falta de apoio da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

"Muitos dos meus colegas, neste momento, estão a equacionar se dão de comer aos filhos ou se pagam os impostos. Porque sabem que se entram em incumprimento, depois não têm direito a nenhum apoio", realçou Daniel Gomes, no final do protesto, que terminou às 12.55 horas, em ponto. A comida utilizada como simbolismo na manifestação foi entregue, depois, a instituições de solidariedade, para distribuição a pessoas em situação de sem-abrigo.

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