Aveiro

"Como é que ninguém conseguiu salvar a minha filha?", diz mãe que perdeu feto

"Como é que ninguém conseguiu salvar a minha filha?", diz mãe que perdeu feto

Thayná Ferreira, de 24 anos, tinha uma cesariana marcada para segunda-feira, dia em que completava 41 semanas de gestação. Mas, no sábado à noite, quando já estava internada, devido a uma pneumonia, no Hospital de Aveiro, que integra o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), descobriu que o feto tinha morrido.

Agora, a jovem, residente em Barrô, Águeda, acusa o hospital de negligência e diz que vai avançar com um processo em tribunal, pois não entende "porque é que nada foi feito" para salvar a filha. Nas últimas semanas, Thayná tinha recorrido à urgência do hospital cerca de uma dezena de vezes, com dores e falta de ar.

"Na segunda-feira da semana passada, a minha sobrinha voltou a ir ao hospital, levada pelos bombeiros. Estava com 40 semanas de gestação, já tinha perdido líquido, mas disseram que estava tudo bem com o bebé e mandaram-na embora. Na quarta-feira, voltou a ir, com dores e falta de ar, e queriam mandá-la embora. Eu é que gritei e exigi que a internassem", conta Ana Paula Souza, tia da paciente. Thayná, que sofre de asma, acabou por lhe ver diagnosticada uma pneumonia, o que, alegadamente, impedia que fosse submetida a um parto em condições de segurança. Por isso, a cesariana foi marcada para a segunda-feira seguinte.

Retirado 14 horas depois

Thayná Ferreira adianta ao JN que o feto estava a ser monitorizado, via CTG (cardiotocografia), quatro vezes por dia. "No sábado de manhã, estava tudo bem e, às 15 horas, a minha bebé também ainda estava viva. À noite, às 23 horas, o médico disse-me que estava morta. Como é que isto aconteceu e ninguém conseguiu salvar a minha filha?", questiona revoltada.

Com dores e contrações - que diz que já sentia, "de dois em dois minutos", desde a manhã -, Thayná ainda passou a noite com o feto morto na barriga. Acabou por ser submetida a uma cesariana apenas no dia seguinte, "14 horas depois". "Ninguém nos explica porque é que isto aconteceu. Dizem que temos que aguardar pela autópsia. Vamos avançar para tribunal, isto foi negligência", acusa Alan Souza, marido de Thayná. O casal tinha-se mudado do Brasil para Portugal, este ano, com uma filha menor, precisamente para melhorar as condições de saúde da jovem, devido ao seu problema de asma.

"Procedimentos corretos"

O CHBV informou, em comunicado, que já abriu um inquérito interno para averiguação dos factos, mas que "uma primeira auditoria aponta para que todos os procedimentos adotados tenham sido corretos". Além disso, adiantou que já disponibilizou apoio psicológico à mãe. Este é o segundo caso de queixa por negligência no acompanhamento de uma gravidez, no CHBV, este ano. Em abril, um casal de Albergaria também acusou o hospital de responsabilidades por ter perdido um feto às 30 semanas.

Lisboa

Há cerca de um ano, uma mulher de 20 anos, grávida de 33 semanas, entrou no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com uma infeção respiratória e alterações do fluxo urinário. O feto apresentava-se mais pequeno do que o normal. Ficou internada e foram-lhe prescritos vários exames, entre eles uma cardiotocografia. Na segunda noite, houve um protesto de enfermeiros e nenhuma mulher o fez. No dia seguinte, a grávida perdeu sangue e confirmou-se que o feto estava morto.

Guarda

Dois médicos e uma enfermeira da Unidade de Saúde Local da Guarda foram acusados de ofensas à integridade física por negligência, no caso de uma grávida que perdeu o bebé às 37 semanas. Os clínicos e a enfermeira estavam de serviço no dia 16 de fevereiro de 2017, quando Cláudia Costa deu entrada na obstetrícia com perdas de sangue. A enfermeira, agora arguida, efetuou o registo tocográfico e percebeu que os batimentos cardíacos do feto eram fracos, mas, na ausência dos médicos, só transmitiu a informação mais tarde. Cláudia viria a ter hemorragias e foi então observada pelos dois obstetras, que confirmaram a morte do feto.

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