Ensino

Em Aveiro, o fecho das escolas não é surpresa, mas causa consternação 

Em Aveiro, o fecho das escolas não é surpresa, mas causa consternação 

O encerramento das escolas para tentar travar a progressão da pandemia de covid-19 foi anunciado de um dia para o outro, mas não parece ter apanhado ninguém de surpresa.

"Acho que é o melhor, isto está mau". O desabafo de Maurício, 18 anos, esta quinta-feira, à porta da Secundária Mário Sacramento, em Aveiro, é repetido por todas as pessoas da comunidade educativa ouvidas pelo JN. O aluno do curso profissional de Manutenção Industrial diz que não foi apanhado de surpresa pela decisão de fechar as escolas. Soube hoje e amanhã já não vai às aulas. Além de treinar futebol, ainda não tem mais planos para as duas semanas de férias antecipadas que tem pela frente. Só receia ficar ainda mais para trás no ensino. "Já estamos um pouco atrasados, por causa de alguns professores que faltaram" por estarem m isolamento profilático, conta.

O colega de turma Marcelo duvida se ir de férias antecipadas em vez de ter aulas à distância será a melhor decisão. "Acho que muito pessoal vai querer sair, porque não tem nada para fazer. Se tivéssemos aulas éramos mais obrigados a estar em casa", explica o jovem de 17 anos.

À porta da escola, Helena aguarda a filha, que frequenta o 7º ano de escolaridade. "A nossa família poderia auxiliar nas aulas à distância, mas sabemos que nem todos conseguem", diz, compreendendo a decisão. A família não terá de se desdobrar em grandes esforços para a filha não ficar sozinha, já que o pai, conta Helena, "está em teletrabalho em casa".

"Do mal, o menos"

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"Ainda bem que é paragem e não já ensino à distância, porque a frustração foi enorme o ano passado. Mesmo os bons ficaram para trás, porque a aprendizagem não é a mesma". Quem fala agora é Isabel Passos, professora de geografia no 3º ciclo do Ensino Básico, que se detém a falar com o JN. A voz da professora de geografia treme e garante que no interior da Mário Sacramento "estão todos consternados" com a situação. A professora ainda não sabe os pormenores, mas prefere uma alteração ao calendário escolar a ter de voltar já ao ensino à distância. "Do mal, o menos", diz, num suspiro. O medo agora, confessa, é que sejam "mais do que as duas semanas".

Na escola José Estevão, também em Aveiro, Miriam, Gustavo e Guilherme saem do estabelecimento de máscara no rosto. Têm todos 15 anos e frequentam o 10º ano. Também eles não foram apanhados de surpresa. "Já falamos sobre um possível encerramento desde o início do ano", revela Miriam, que planeia "ficar em casa, segura". Gustavo vai "adiantar trabalhos e descansar". Já Guilherme, quer aproveitar a pausa para "experimentar coisas novas", como uma mudança radical de corte de cabelo, para surpreender os amigos quando as aulas retomarem.

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