Saúde

Monitorização cardíaca feita no conforto do lar

Monitorização cardíaca feita no conforto do lar

Hospital de Aveiro consegue antecipar à distância alterações em doentes que tenham tido enfarte ou que sofram de insuficiência cardíaca.

Depois de uma vida a trabalhar como pedreiro, António Caetano, 62 anos, reformado, é agora uma espécie de enfermeiro de si próprio. Após ter sofrido um enfarte, em agosto, passou a integrar, desde há duas semanas, o recém-criado programa de telemonitorização, do hospital de Aveiro, destinado a pessoas que sofreram um enfarte agudo do miocárdio ou que têm insuficiência cardíaca. Por isso, no conforto do lar, em S. João de Loure, Albergaria-a-Velha, António utiliza, todos os dias, uma série de equipamentos em si próprio, que permitem aos médicos, em tempo real, estar a par da sua condição de saúde. E, dessa forma, prevenir que o seu corpo descompense. Há mais três doentes no programa, mas, até ao final de 2021, serão 40.

Os dias de António Caetano, agora, começam sempre da mesma maneira: há que se pesar na balança, que colocar o oxímetro no dedo, para medir os níveis de oxigénio no sangue, e que utilizar o termómetro, para avaliar a temperatura corporal. Além disso, à segunda, à quarta e à sexta-feira, é necessário fazer a si próprio um eletrocardiograma. E tem de ter consigo, sempre, ao longo do dia, um medidor de passos. "Só tenho de ligar o telemóvel que me deram, ligar os aparelhos e os valores aparecem no telemóvel. Não percebia isto muito bem, mas já consigo fazer tudo sozinho", conta António.

médicos são alertados

A telemonitorização de doentes cardíacos está em prática, em Aveiro, desde o início do ano. "Consiste em ter os doentes em casa, com equipamentos que registam dados. E existe uma alarmística, definida por nós, segundo parâmetros que não queremos que sejam ultrapassados. Se forem, somos avisados. Além disso, a qualquer altura que quisermos, temos acesso à plataforma com as medições dos doentes", explica José António Santos, cardiologista e responsável pela implementação do projeto.

evita idas à urgência

Através do acordo de serviços partilhados com o Serviço Nacional de Saúde, é uma empresa privada que fornece os equipamentos aos doentes e que tem, diariamente, uma equipa clínica para avaliar as medições, alertando o hospital caso haja alguma alteração.

"É uma forma de prevenir descompensações e de evitar que os doentes estejam sempre a vir ao Serviço de Urgência. Por exemplo, se estiverem a reter líquidos, porque o coração não bombeia o sangue, a balança deteta o aumento de peso", adianta Ana Maria Briosa Neves, diretora da Cardiologia. "Conseguimos antecipar, em tempo real, as alterações do estado de saúde dos doentes e chamá-los se alguma coisa não estiver bem", acrescenta.

António Caetano, já habituado à rotina, confessa: "Acabo por me sentir mais descansado".

Hospital diz que vai poupar quase 100 mil euros

"O projeto considerou uma redução anual de 3096 episódios de urgência, calculando uma redução de custos de 92 mil euros. E, ainda, uma redução de 19 mil euros em consultas", revelou Ana Maria Briosa Neves. "O programa de telemonitorização só era possível com a criação de um espaço de hospital de dia, onde os doentes pudessem vir, quando chamados para qualquer intervenção. Foi o que fizemos", frisa José António Santos. É lá que são tratados os doentes cujos resultados das medições indiquem alterações. Além disso, os doentes têm o contacto direto da enfermeira residente do hospital de dia.

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