País

Negligência na morte de idosa na Urgência

Negligência na morte de idosa na Urgência

A mulher, de 85 anos, que em Janeiro de 2008 morreu antes de ser vista por um médico na Urgência de Aveiro não foi devidamente triada pela enfermeira, acusada de "negligência", pela Inspecção de Saúde.

A enfermeira que fez a triagem à doente, de 85 anos, Albertina Nunes, que a 2 de Janeiro de 2008, foi encontrada morta numa maca na Urgência do Hospital de Aveiro, foi acusada de "manifesta negligência (...) que condicionou o atendimento mais precoce da doente" por parte da Inspecção Geral das Actividades em Saúde (IGAS), apurou o JN. A nota de culpa decorrente do processo disciplinar instaurado pelo hospital aponta para uma sanção pecuniária, segundo apurámos junto de fonte hospitalar.

Segundo o relatório do perito nomeado pela Ordem dos Enfermeiros, a pedido do IGAS, a enfermeira terá cometido "36 erros de avaliação no conjunto de etapas que compõem a triagem de Manchester", revelou, ao JN, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Norte (SEN), José Azevedo, que acusa o perito de ter "concretizado uma encomenda para arranjar um 'bode expiatório' e ilibar os médicos".

O presidente do SEN considera que a triagem efectuada pela enfermeira de Aveiro foi "bem feita". "A colega atribuiu a cor amarela à doente. Teria de ser vista por médicos numa hora. Decorridas as três horas, após os 60 minutos que a enfermeira determinou como tempo máximo de atendimento pelo médico, a doente faleceu. Se esta tivesse falecido numa hora ainda se poderia colocar a questão da responsabilidade da enfermeira, agora a senhora faleceu muito depois", diz Azevedo.

Opinião diferente tem o perito, no qual se baseia o relatório do IGAS, para considerar "incorrecta" a avaliação da doente. Nas conclusões do relatório, pode ler-se que o perito apontou "irregularidades graves" na triagem efectuada pela enfermeira, nomeadamente, "as omissões de registos de dados e a não avaliação dos parâmetros vitai", entre outros. Conclui o perito que o estado em que se encontrava a doente era merecedor de uma cor emergente, laranja ou vermelho, o que obrigaria a doente a ser vista de imediato (vermelho) ou em 10 minutos (laranja).

O relatório frisa que "não está em causa saber se houve nexo de causalidade entre a prioridade atribuída à doente e a respectiva morte, mas se a doente foi correctamente avaliada na triagem".

A enfermeira visada não quis falar ao JN. Também a Administração do hospital esteve ontem incontactável.

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG