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Parque de Ciência e Inovação de Aveiro cresce em setembro

Parque de Ciência e Inovação de Aveiro cresce em setembro

Novo edifício vocacionado para a economia do mar e energia arranca depois do verão. Complexo aloja uma centena de empresas e está quase lotado.

Arranca em setembro a construção de um novo edifício no Parque de Ciência e Inovação (PCI), localizado no limite dos concelhos de Aveiro e Ílhavo. A informação foi avançada, ontem, por João Veloso, vice-reitor da Universidade de Aveiro (UA), numa transmissão online do JN integrada na celebração dos 133 anos do jornal.

O edifício, o quarto a integrar o parque, terá "uma vertente associada à economia do mar e à energia, áreas de grande incidência na investigação da UA e com impacto imenso na sociedade", explicou. Dará resposta à falta de espaço, já que, atualmente, o PCI aloja mais de uma centena de empresas e está praticamente lotado. A nova construção deverá ser financiada por fundos comunitários.

No futuro, está também prevista a construção de outro edifício de laboratórios vocacionado para a "tecnologia da saúde", que também acompanha a investigação realizada na UA a nível de engenharia biomédica e bioengenharia, acrescentou João Veloso.

Apesar da pandemia, o PCI, que tem como acionistas autarquias, associações e empresas, com destaque para a Universidade de Aveiro, continuou a ter elevada procura. "Muitas empresas procuram o PCI para se alojarem, vendo o potencial que tem devido à transferência de tecnologia e inovação da UA", refere o vice-reitor.

Procura internacional

A procura tem sido muito elevada, "não só a nível nacional, mas também internacional. Portugal está no radar das grandes empresas tecnológicas em vários setores", reforçou Pedro Almeida, novo diretor do parque, assinalando que na semana passada recebeu visitas de "empreendedores do Brasil, Cabo Verde e Portugal, que procuram espaços para colocar as suas equipas e trabalharem de forma próxima com a UA".

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O PCI, especificou Pedro Almeida, "não está à procura de projetos industriais, mas de empresas que tragam centros de inovação para ajudarem a responder aos desafios do tecido empresarial e da sociedade".

São os casos da Watgrid, PICadvanced, LUGGit e Nu-rise, que já estão a colocar produtos no mercado nacional e além-fronteiras (ler textos ao lado).

Pedro Almeida reconhece que a maioria das empresas da região ainda estão alheadas do PCI, mas diz estar "empenhado em trabalhar no sentido de as aproximar e apoiar em matérias de soluções tecnológicas e na resolução do problema da falta de mão de obra qualificada".

Cuida das malas entre o hotel e a hora da viagem

O que fazer com a bagagem enquanto viaja? Este é o problema que a LUGGit resolve. A empresa de Ricardo Figueiredo e João Pedrosa criou uma plataforma que permite, em tempo real, requisitar um condutor para recolher as malas e entregá-las na hora e local combinados.

"É comum as pessoas chegarem cedo a um destino e só terem de fazer check-in mais tarde no hotel. Ou terem de fazer check-out cedo, mas o voo de regresso ser só ao final do dia", diz Ricardo, explicando que quem viaja quer "aproveitar o tempo" e, muitas vezes, as malas tornam-se um "problema". A empresa está presente no Porto e em Lisboa e pretende internacionalizar-se já este ano.

Para facilitar a requisição do serviço foi criada uma aplicação que se pode descarregar para o telemóvel. O custo ronda os 18 euros. Os colaboradores da empresa guardam a bagagem em lugar seguro. E cada mala é selada com uma fivela eletrónica que permite ao cliente "saber, em qualquer altura, onde está a bagagem", conta João Pedrosa.

Criaram aparelho único para gigante americano

A PICadvanced destaca-se além-fronteiras pela inovação tecnológica na produção de componentes para telecomunicações. A empresa, liderada por Ana Tavares e Francisco Rodrigues, criou um aparelho único para um gigante norte-americano das telecomunicações.

"Fazemos o tradutor do sinal ótico que viaja na fibra para sinal elétrico, que é aquele que os aparelhos do dia a dia, como computadores, boxes e telemóveis, "percebem"", simplifica Francisco Rodrigues.

O produto é totalmente made in Portugal. A tecnologia foi desenvolvida pela empresa sediada no PCI. Depois, uma empresa em Águeda, sócia da PICadvanced, faz a produção. O desafio agora, para além de guardar o segredo, é fazê-lo em larga escala. Até 2026, a PIcadvanced quer produzir um milhão e meio destes aparelhos. "É ambicioso", reconhece Francisco, mas necessário para uma "economia de massas". A empresa produz outros aparelhos para operadores nacionais.

Tornam tratamentos de radioterapia mais eficientes

A Nu-Rise desenvolveu uma solução para radioterapia que ajuda a tornar os tratamentos a cancros mais eficientes. "Fazemos rastreamento da dose de radiação que está a ser dada ao paciente", o que permite "identificar desvios e otimizar o tratamento", pois há uma resposta em tempo real, explica Luís Moutinho. O "aumento da precisão dos tratamentos" leva a "menos idas aos hospitais e menos readmissões", explica a colega Joana Melo.

Os protótipos desenvolvidos pela empresa instalada no PCI já estão no IPO do Porto e em hospitais públicos de Barcelona e Valência, em Espanha. E só não estão em mais porque não têm tido meios humanos suficientes para dar resposta a solicitações de vários locais, "até da China", revelam.

Nos próximos meses querem aumentar a equipa técnica e chegar ao mercado norte-americano, pois já receberam manifestações de interesse e têm a indicação que os processos de certificação são "mais rápidos", refere Luís.

Fizeram um "seguro do vinho" para os maiores do Mundo

A Watgrid pôs a tecnologia ao serviço do controlo de qualidade de vinho. "Desenvolvemos sensores para cubas e barricas, para digitalizar todo o processo de produção de vinho", permitindo ao enólogo saber, em tempo real, o que esta a acontecer no interior das cubas, explica Rogério Nogueira.

No processo normal de fermentação, por exemplo, "o enólogo tem de ir regularmente à cuba retirar uma amostra de vinho e analisá-lo", mas com os sensores da empresa, sediada no PCI, "deixa de ser necessário fazê-lo, porque tem um equipamento que recolhe a informação" de forma constante e a envia para o telemóvel, alertando-o no caso de haver algum problema.

Atualmente a empresa está a vender para alguns dos maiores produtores de vinho do Mundo, nomeadamente dos Estados Unidos, Chile, Nova Zelândia, Austrália e França, refere Lúcia Bilro. No futuro a empresa pretende continuar a inovar e a abrir novos mercados, como Alemanha e Israel.

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