Aveiro

Piscinas do Beira-Mar à mercê do vandalismo

Piscinas do Beira-Mar à mercê do vandalismo

As piscinas do Beira-Mar, em Aveiro, estão ao abandono. Fechadas pelo clube no Verão de 2009, foram mais tarde vendidas a uma imobiliária num processo polémico. No Verão passado, as enormes vidraças foram retiradas e o edifício apresenta sinais de vandalismo. O presidente diz que o clube não autorizou a retirada de material.

No Verão passado todas as vidraças que revestiam o edifício das piscinas cobertas foram retiradas por elementos exteriores ao clube e à Câmara de Aveiro. O aspecto que hoje apresenta todo o complexo é de perfeito abandono, com vidros de pequenas janelas partidos. No interior, um cão, vela pela "segurança" do complexo abandonado. E qualquer pessoa, com um bocadinho de jeito pode entrar no que resta das piscinas.

"É uma pena que aquilo tenha chegado ao que chegou, qualquer dia é mais um sitio para os sem abrigo", comentou ao JN, António Cordeiro, residente não muito longe do complexo de piscinas. "Já faltou pouco", ironizou.

Como é possível que estas coisas aconteçam, isto é uma vergonha numa cidade como esta. Os meus filhos aprenderam ali a nadar", desabafou, por seu turno, Ana Silva para quem a situação foi provocada, "talvez por erros de gestão". "Pouco investiram nas piscinas e quando fecharam disseram que não podiam aguentar as despesas", disse.

Para o presidente do Beira-Mar, António Regala, a escritura de venda das piscinas do clube à empresa Nível II apenas refere a transacção do terreno, deixando de fora as benfeitorias. "Assim sendo, o edifício das piscinas cobertas é do clube e qualquer retirada de material do edifício foi feita sem nossa autorização", afirmou o dirigente ao JN.

Esta posição é também partilhada por Artur Filipe, ex-dirigente do clube, que lembra que as piscinas (entre as quais a única com dimensão olímpica existente em Aveiro), foram construídas com dinheiro saído do erário público, através de verbas da então Direcção Geral dos Desportos.

O ex-dirigente vai mais longe e afirma que o Beira-Mar, após a venda do terreno à Nível II, escreveu uma carta àquela empresa onde informava que "era tudo deles". Regala, confrontado pelo JN, afirmou desconhecer a existência de qualquer carta do clube à Nível II. "O negócio das piscinas é anterior à nossa entrada no clube e é a primeira vez que estou a ouvir isso. O que posso dizer é que a escritura fala na venda do terreno e não nas benfeitorias", observou.

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Responsabilidade incógnita

As piscinas foram vendidas pela Câmara ao clube que, por sua vez, as transaccionou a uma imobiliária. A falta de cumprimento do contrato levou a autarquia a accionar o Beira-Mar, pedindo a anulação do negócio e a reversão do terreno, processo que ainda não está julgado. Só depois da resolução deste caso é que o Beira-Mar tomará uma posição, segundo António Regala. "Mas alguém terá que ser responsabilizado por deixar entrar lá pessoas para retirarem aquilo", disse ao JN.

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