Aveiro

Ria de Aveiro começa a ser desassoreada em 2017

Ria de Aveiro começa a ser desassoreada em 2017

O desassoreamento da ria de Aveiro avançará no próximo ano e limpará cerca de 100 quilómetros de esteiras, de calas e de canais de navegação da linha de água.

O Ministério do Ambiente deu prioridade ao projeto encalhado há vários anos e assegurou o financiamento comunitário. A intervenção custará 25 milhões de euros.

O concurso público será lançado até junho de 2017, prevendo-se que a retirada de 1,5 milhões de metros cúbicos (m3) de areia possa começar até ao final do próximo ano. "A intervenção permitirá repor as condições naturais da ria de Aveiro, incluindo a melhoria da pequena navegação voltada para as atividades tradicionais", explica João Pedro Matos Fernandes. À chegada ao Governo, o ministro do Ambiente encontrou o processo "longe de estar concluído" e trabalhou em duas frentes. Deu prioridade ao procedimento de avaliação de impacto ambiental e ao de-senvolvimento do projeto de execução e garantiu financiamento comunitário do POSEUR.

"Encontrei duas obras que pareciam impossíveis: os desassoreamentos do rio Mondego e da ria de Aveiro. O concurso para a intervenção no Mondego já foi lançado. Quanto à ria da Aveiro, o processo estava muito atrasado e havia inúmeras interrogações sobre se podia ou não ser financiada pelo POSEUR", recorda o governante. No entanto, em ambos os casos, alcançou-se a solução que dará satisfação a reivindicações antigas.

Navegação muito condicionada

Há 20 anos que a ria de Aveiro não é desassoreada. A última grande dragagem realizou-se em 1996, abrangendo, sobretudo, o troço da Torreira ao Carregal. Desde então, a navegabilidade tem-se deteriorado, assim como as condições para apanha de bivalves e para a pesca tradicional. A obstrução dos canais por sedimentos tem sido apontada pelos pescadores como uma das justificações para a menor produção de amêijoa e de berbigão.

Também os apaixonados pela náutica de recreio e os empresários da navegação turística já não arriscam navegar em alguns troços, mesmo com maré alta, face ao perigo de ficarem com as embarcações encalhadas. A necessidade de uma nova dragagem da ria foi reconhecida com a inclusão daquela obra no programa Polis, tendo sido adiada devido à complexidade técnica e à falta de dinheiro para concretizá-la.

Um ano e seis meses de trabalho

O Ministério do Ambiente afiança que o desassoreamento sairá do papel em 2017. Os trabalhos envolvem a remoção de 1,5 milhões de m3 de areias ao longo de mais de 100 quilómetros de canais, de calas e de esteiros. No âmbito do procedimento de avaliação ambiental, foram executadas análises aos sedimentos. As análises repetir-se-ão durante a intervenção, que se prolongará por um ano e seis meses.

O desassoreamento estará finalizado durante o ano de 2019. Grande parte das areias retiradas da ria será depositada no litoral, entre as praias de Espinho e de Mira. Os inertes, para além de reforçar os diques e motas, serão fundamentais para reforçar o cordão dunar de "uma das zonas mais frágeis da costa", realça o ministro Matos Fernandes. Nesse sentido, o Ministério canalizou 61 milhões para a defesa do litoral no distrito de Aveiro por se tratar da região do país mais afetada pela subida do nível médio das águas do mar. v