Aveiro

S. Gonçalinho com menos cavacas e público 

S. Gonçalinho com menos cavacas e público 

Mordomia encomendou quatro toneladas, menos duas do que o habitual, e ainda tem doce para quem quiser pagar promessas em Aveiro.

No armazém da mordomia os sacos com cavacas chegam ao teto, sinal que das quatro toneladas encomendadas, mais duas do que em 2019, antes da pandemia, ainda sobram muitas para os fiéis de S. Gonçalinho lançarem do alto da capela, no bairro da Beira Mar, em Aveiro, e assim pagarem promessas. Na tarde deste sábado, o recinto estava longe de estar cheio, mas o juiz da festa, Pedro Nunes, acredita que, até amanhã, domingo, dia em que acaba a festa, as cavacas serão vendidas e o recinto ficará composto.

"Normalmente as mordomias encomendam seis toneladas de cavacas, mais as que se vendem nas mercearias e bancas. Este ano encomendamos quatro toneladas e mesmo assim ainda não vendemos tudo", conta Pedro Nunes, que se mostra confiante que a afluência melhorará este domingo.

A feirante Fernanda Lopes tem a mesma fé, até porque, até agora, o negócio tem sido fraco. "Não temos vendido como nos outros anos e não se vê pessoal nas ruas", lamenta.

Para subir à capela é preciso certificado de vacinação ou teste negativo e algumas pessoas têm pedido aos mordomos para lançarem as cavacas por eles ou para entregarem a instituições, de forma a "evitarem ajuntamentos ou não terem de subir as íngremes escadas em caracol", conta o juiz.

Nada disso impediu, porém, o casal Luís Miguel e Paula Pinto de atirarem 15 quilos de cavacas e agradecerem ao "menino", como o povo chama a S. Gonçalinho, por ter atendido o seu pedido: há sete anos, Paula ultrapassou um cancro. "Quando temos saúde, queremos montes de coisas. Quando não temos, só queremos saúde", diz Luís Miguel. Em redor, "está um deserto", admite o homem. "Antes o recinto estava apinhado e a 'luta' pela cavaca vinda do cimo da capela era mais acesa", acrescenta Paula.

"Antes eram milhares de pessoas e havia uma fila grande", reforça Eduarda Silva, junto a 15 quilos de cavacas. O grupo de Rui Ribeiro tem 10, que ajudarão a "celebrar a tradição e adorar o menino", apesar da pandemia.

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