Aveiro

Um campo à espera do hospital de que Aveiro precisa

Um campo à espera do hospital de que Aveiro precisa

Se tudo correr bem, o Hospital de Aveiro vai ser maior em 2024. O projeto de ampliação da principal unidade do Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) está em andamento e contempla o Centro Académico Clínico da Universidade de Aveiro.

O terreno - o antigo Estádio Mário Duarte - já foi preparado pela Câmara e o estudo do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), que aponta os serviços e áreas do novo edifício, ficou concluído em agosto. Falta o financiamento para um investimento estimado em "150 milhões de euros", revela, ao JN, o presidente do município, Ribau Esteves.

O dinheiro pode vir de fundos comunitários, do Portugal 2020 e do Portugal 2030, ou do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), que Ribau Esteves defende ser o mais adequado. "Já disse ao primeiro-ministro que este projeto tem todas as condições, e mais agora com a pandemia, para ser integrado no PRR", diz o autarca, apontando a vantagem de, nesse caso, o financiamento ser a 100%, em vez de apenas 85%. A importância da ampliação do hospital e do centro académico é um dos temas que vai ser abordado na conferência "Aveiro no Centro da Resposta à Pandemia", que o JN e a Câmara de Aveiro promovem na próxima sexta-feira (ver caixa).

Imprescindível

Longe vão os tempos em que o objetivo era construir um novo hospital. O local (Eixo) até esteve previsto no Plano Diretor Municipal. Um sonho que a falta de dinheiro apagou. E entre ter a ampliação na mão e um novo a voar, os responsáveis municipais e hospitalares apostaram no crescimento, considerado imprescindível. "Se o hospital não for ampliado, não poderemos manter a capacidade de resposta com a qualidade e a segurança que hoje damos à população", afirma Margarida França, presidente do CHBV.

A ideia, explica a administradora, é deslocar para o novo edifício a unidade de ambulatório (pequenas cirurgias, fisioterapia, consultas externas, exames e hospitais de dia). "O edifício terá cerca de 60 mil metros quadrados, sendo que pouco mais de 30 mil será para o hospital e um pouco menos para o Centro Académico Clínico", adianta Margarida França. O presidente da Câmara acredita que início de 2024 pode haver inauguração. "Um ano para o projeto e cerca de dois anos para a obra", prevê um otimista Ribau Esteves.

Ambos realçam a importância do Centro Académico. "Associa a investigação da Universidade à prática clínica do hospital e será importante para atrair médicos que não vêm para Aveiro por não termos investigação académica", considera Margarida França. Uma ideia partilhada por Ribau Esteves, que, falando também como presidente da Região de Aveiro, concorda com a estratégia da Universidade em criar primeiro o Centro Académico Clínico para mais tarde trabalhar na criação de um curso de Medicina.

Um dos temas da Conferência do JN na sexta-feira

A ampliação do Hospital e a importância do Centro Académico Clínico da Universidade de Aveiro é um dos temas do painel "No Centro da Recuperação e da Resiliência", o primeiro da conferência "Aveiro no Centro da resposta à pandemia", que o JN e a Câmara organizam na próxima sexta-feira, no Centro de Congressos, a partir das 9,45 horas, com vários convidados. Segue-se, às 12 horas, "No Centro da saúde financeira: as autarquias e as empresas". Às 14,30 arranca o terceiro e último tema, "No Centro do processo de descentralização". Esta iniciativa faz parte do ciclo de conferências JN Praça da Liberdade e pode ser acompanhada em jn.pt e tsf.pt.

Nove internados com covid-19

Na sexta-feira estavam internados nove doentes com covid-19 no Hospital de Aveiro, nenhum nos Cuidados Intensivos (CI). Em 30 de março, pior dia, estiveram 39 doentes, seis dos quais nos CI. O Plano de Contingência prevê numa segunda fase 26 camas e 42 numa terceira, 10 das quais nos CI. Em função disso, o Hospital de Dia (onde são tratados doentes oncológicos), cuja enfermaria ficará reservada para a pandemia, vai ser transferido para o Hospital de Águeda.

Um Nobel da Medicina como patrono

Numa homenagem ao Nobel da Medicina de 1949 (Avanca, Estarreja), o Centro Académico Clínico terá o nome de Egas Moniz. A Universidade terá como parceiros o Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, o Centro Hospitalar Gaia/Espinho, a Universidade Nova de Lisboa, a ARSC e a Câmara de Aveiro.

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