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"Telefonavam-me de madrugada a pedir dinheiro da indemnização"

"Telefonavam-me de madrugada a pedir dinheiro da indemnização"

Manuel e Maria ficaram sem um filho, que seguia num dos carros caídos ao rio. Nem o dinheiro recebido pela morte teve paz.

Se Manuel Gonçalves pudesse usava as navalhas com que faz a barba aos clientes para cortar "a mágoa e a revolta" que sente há 20 anos pela morte do filho. Sentado na cadeira da barbearia em Cortinhas, Sardoura, o homem de 63 anos podia usar o rádio com cassetes para puxar a fita atrás até carregar na tecla daquele domingo em que foi acordado pela mulher. "Põe-te aí descansado, olha que caiu a ponte e o nosso filho não está em casa", atirou-lhe Maria, que adivinhou o pior. "Mal ouvi a notícia, soube que tinha perdido o meu filho. Há coisas que só uma mãe sente e eu disse logo ao meu marido, que não queria acreditar". O coração de Maria, onde "Paulito" se aconchegava tantas vezes, tinha disparado.

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