Espinho

Tapetes 5 estrelas para a Dior e Louis Vuitton

Tapetes 5 estrelas para a Dior e Louis Vuitton

Fernanda Barbosa é a alma da empresa desde que a mãe, Maria Carlinda, decidiu, há sete anos, afastar-se dos negócios. Carlinda era filha de Joaquim Ferreira de Sá, o homem que fundou, em 1946, uma tapeçaria com o seu nome, no lugar do Souto, em Silvalde, Espinho.

Fernanda, engenheira têxtil com canudo tirado na Universidade do Minho, trabalhou uns anos em outros locais, mas acabou por cair entre os tapetes que prestigiam a família. E lá está há 22 anos. Fernanda, 48 anos, tem mais quatro irmãos. Cristina, 47, Joaquim Carlos, 43, e Nuno, 41, arquiteto, trabalham na firma. Antonieta é médica.

A finalidade dos netos de Ferreira de Sá é só uma, ou seja, continuar a produzir "tapeçaria de luxo e exclusiva", crescendo mais no mercado cinco estrelas já conquistado. Basta dizer que na lista de clientes estão a Dior, a Louis Vuitton, a Nespresso, o Vidago Palace Hotel. E na Suécia pisam-se tapetes feitos em Silvalde nas lojas da Nokia, Arena e Volvo.

Nos cinco mil metros quadrados que ocupam um quarteirão, trabalham 108 pessoas. Por turnos. São 24 horas onde teares robotizados e manuais partilham obra, feita com lã da Guarda, da Bélgica e da Nova Zelândia. No ano passado, o volume de negócios em exportações foi de cinco milhões de euros.

Cada produto é único

Tendo a Itália e a Suécia como os dois melhores clientes, os donos da Ferreira de Sá, que não vendem a retalho, podem gabar-se de haver um tapete ou uma carpete em todo o Mundo. E cada um é único. "É o cliente que escolhe, mediante as propostas que fazemos, o que quer. É como antigamente quando íamos à costureira e mandávamos fazer um vestido. Por exemplo, agora a cor da moda é a cereja e o azul-turquesa, mas mantêm-se os beges, os cinzentos, as cores sóbrias", diz Fernanda Barbosa.

Atualmente, trabalham com um novo hotel no Azerbaijão, sendo certo que serão eles que vão ditar o que vai forrar o chão do Sheraton Rostov, na Rússia, em construção para os Jogos Olímpicos de 2014. "Só na entrada haverá uma carpete com 13 metros de comprimento".

O arquiteto Álvaro Siza e a estilista Fátima Lopes são os rostos portugueses que surgem na divulgação comercial. O primeiro é cliente habitual. "Sempre que tem uma obra que precisa de tapeçaria, procura a Ferreira de Sá", garante Fernanda, não escondendo vaidade.