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Irmãos de Espinho são vice-campeões mundiais de patinagem artística

Irmãos de Espinho são vice-campeões mundiais de patinagem artística

São de uma alegria e determinação contagiantes e têm um percurso feito de entrega absoluta a tudo o que se dedicam. "Sem tempo para falhas", os irmãos Ana Luísa e Pedro Walgode - naturais de Mafamude, Gaia, mas a residirem em Espinho - são vice-campeões do mundo de patinagem artística, na categoria de Pares de Dança Sénior, além de colecionarem outros títulos individuais.

A par disso, Ana Luísa, 24 anos, licenciada em Bioengenharia está no último ano do mestrado, e Pedro, 27, que seguiu Engenharia Química, é bolseiro de doutoramento.

Em julho, os irmãos serão o único par sénior português a participar nos Jogos Mundiais - a competição mais importante para a patinagem artística -, que vão decorrer em Birmingham, nos Estados Unidos.

Todavia, Ana Luísa e Pedro ainda não têm garantidos todos os apoios, que lhes permita, por exemplo, serem acompanhados pelos treinadores.

"São anos e anos sem férias, sem saídas com amigos e a responder "não sei se posso"", conta Pedro, recordando "os muitos verões fechados no pavilhão" a treinarem. Tudo em prole de um amor comum, que os irmãos confessam já terem começado "muito tarde". Ana tinha sete anos, o irmão dez.

Nada, ainda assim, que tenha impedido os jovens patinadores - que começaram, em 2004, na Associação Desportiva de Argoncilhe -, de chegarem ao mais alto palmarés da patinagem artística internacional.

O treinador Hugo Chapouto [o primeiro campeão mundial português de patinagem artística] reconhecem-lhes o mérito: "É muito especial os dois conseguirem organizar as várias esferas da vida e terem para todas uma resposta excecional", descrevendo que a fase que Ana e Pedro atravessam "é a mais deliciosa, porque com 99% de trabalho e 1% de genialidade agora é hora de desfrutar".
Também a treinadora Fernanda Ferreira lhes tece elogios: "São realmente muito bons, muito determinados, muito persistentes. Um par como este há um em um milhão".

As expetativas dos irmãos, atletas do Rolar de Matosinhos - clube criado em 1993 por Pedro Craveiro, que treina no Pavilhão Municipal de Custóias -, "são as melhores". Ainda que tenham bem presente o "amargo de boca" de, no ano passado, em Assunção, no Paraguai, não terem alcançado o topo do pódio, nos mundiais de pares de Dança Sénior 2021.

Pedro confessou ao JN que o segundo lugar "soube a pouco". Já Ana Luísa desabafou que "não foi justo".

Também Hugo Chapouto sentiu que "soube a pouco", tendo em conta que ficou "extremamente satisfeito" com o desempenho dos irmãos. Sem rodeios, o treinador considerou que "a não existência de nenhum júri português pode ter influenciado", defendendo que "Portugal tem de olhar para a modalidade de forma mais integrada".

Seja como for, Ana Luísa e Pedro já começaram com os treinos "mais intensos" em busca do sonho maior. E na hora de elogiar o par, Ana Luísa reconhece que Pedro "é persistente e trabalhador". Já o patinador gaba "o carisma" da irmã.

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