Óbito

Morreu Ernesto Gonçalves, empresário e benemérito de Oliveira de Azeméis

Morreu Ernesto Gonçalves, empresário e benemérito de Oliveira de Azeméis

O homem que montou a sua própria empresa, Eumel, já depois dos 50 anos, acabou por se tornar numa das figuras mais importantes da freguesia de Cesar, em Oliveira de Azeméis.

Ernesto Gonçalves faleceu, esta quinta-feira, aos 83 anos, depois de complicações de saúde. Com particular ação no tecido associativo de Azeméis, foi ele quem doou a capela mortuária à freguesia onde vivia e trabalhava. E trabalhou até ao fim da vida.

Tinha já 53 anos quando fundou a Eumel, empresa de acessórios para louça metálica, porque sempre sonhou ser industrial, embora tivesse apenas o 4º ano de escolaridade. Filho de lavradores e com 11 irmãos, Ernesto criou a empresa hoje sediada em Cesar, depois de 27 anos a trabalhar no ramo, num pequeno armazém arrendado em Carregosa, Oliveira de Azeméis. Daí que Carlos Costa Gomes, professor da Universidade Católica do Porto e amigo pessoal de Ernesto, diga que "hoje partiu um empreendedor que tentou desafiar o quase impossível e um dos maiores beneméritos da freguesia". "Teve sucesso enquanto industrial e nunca descurou a sua responsabilidade social, de apoio a toda a massa associativa da vila de Cesar e não só, até a nível do concelho. Era um filantropo", diz o docente.

Ernesto era particularmente sensível à pobreza e ajudava particulares, além de associações, clubes desportivos - foi presidente do Futebol Clube Cesarense -, instituições locais, bandas de música e bombeiros voluntários onde chegou a fazer parte dos órgãos sociais. "No início deste milénio, a ele devemos a construção de uma capela mortuária, ao serviço da freguesia de Cesar. Num investimento de cerca de 200 mil euros, ele doou a capela à freguesia que, até à altura, não tinha capela mortuária", diz Costa Gomes.

"Não só pela obra física, mas também pela obra social e pelo legado enquanto empresário, é uma figura ímpar no concelho. O Ernesto foi uma pessoa que, e digo isto com alguma mágoa, a freguesia em tempo útil nunca soube reconhecer", refere o amigo. Há precisamente um ano, o empresário dizia ao JN que o seu segredo era "ser trabalhador, honesto e humilde".