Inclusão

Carnaval de Ovar lança programas turísticos para cegos e surdos

Carnaval de Ovar lança programas turísticos para cegos e surdos

A organização do Carnaval de Ovar vai promover este ano, pela primeira vez, programas turísticos específicos para pessoas invisuais e surdas. O coordenador do evento descreveu a festa como "realmente inclusiva".

O vereador da Cultura da Câmara de Ovar, Alexandre Rosas, que organiza o evento com recurso a um investimento de 650 mil euros e à parceria com 24 associações locais, afirma que a adaptação do programa ao público com restrições de mobilidade é "uma consequência natural da evolução da festa".

Todos os roteiros para a comunidade com restrições visuais e auditivas vão passar pela Aldeia do Carnaval, que reúne as sedes dos 24 grupos, escolas de samba e coletivos que protagonizam os grandes corsos do evento, mas estão previstas duas modalidades distintas para potenciar a experiência de uns e outros.

"Para os surdos, haverá o acompanhamento de um intérprete de Língua Gestual Portuguesa e uma oficina de criação de acessórios carnavalescos em esponja, e para os cegos haverá a visita a uma escola de samba e uma oficina de percussão, para que todos possam experimentar instrumentos e criar um ritmo interpretado em conjunto", explicou Alexandre Rosas.

Essas visitas especiais estão marcadas para os dias 8, 15 e 19 de fevereiro, e, mediante marcação prévia, podem ser complementadas com experiências paralelas para descoberta do património de Ovar, no distrito de Aveiro, como é o caso de percursos dedicados ao azulejo, provas do pão-de-ló local e visitas à Casa-Museu Júlio Dinis e ao Museu Escolar Oliveira Lopes.

Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar, realçou que este esforço de inclusão se vai notar também na circulação pedonal no centro histórico de Ovar, onde terminaram recentemente obras de regeneração urbana avaliadas em cerca de um milhão de euros.

"Este Carnaval vai ser o primeiro com um centro urbano totalmente novo e adaptado à circulação de cidadãos com restrições de mobilidade", disse o autarca à agência Lusa.

Entre as novidades incluem-se semáforos com alarme sonoro que identifique o momento em que peões cegos possam atravessar a passadeira, guias táteis no solo para que as bengalas possam detetar a aproximação de faixas de circulação viária e rebaixamento geral de passeios para facilitar a deslocação de pessoas em cadeira de rodas ou com carrinho de bebé.

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