Covid-19

Autarca saúda cerco a Ovar até dia 17 com escoamento de mercadorias

Autarca saúda cerco a Ovar até dia 17 com escoamento de mercadorias

O cerco sanitário vigente em Ovar para contenção da pandemia de Covid-19 será prolongado até dia 17 e permitirá agora o escoamento de mercadorias.

"Foi aprovada uma resolução que, na sequência da pandemia Covid-19, prorroga os efeitos da declaração de situação de calamidade e a cerca sanitária no município de Ovar até 17 de abril de 2020, sem prejuízo de prorrogação ou modificação face à evolução da situação epidemiológica", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

No Artigo 21.º das medidas aprovadas pelo governo está referido, no âmbito da livre circulação de mercadorias, que "as restrições à circulação, incluindo nos municípios em que tenha sido determinada uma cerca sanitária, não prejudicam a livre circulação de mercadorias".

"Tive informação de que a manutenção do cerco nessas condições terá sido aprovada pelo Conselho de Ministros. Não conheço ainda o conteúdo final do despacho, mas fica desde já o compromisso de que tudo irei fazer para que seja cumprido na íntegra, porque só dessa forma poderemos trabalhar em conjunto nesta guerra contra o vírus", afirmou Salvador Malheiro numa mensagem à população.

O autarca já tinha dito que via "com bons olhos" a manutenção do cerco profilático implementado em 18 de março neste município do distrito de Aveiro, por considerar que o dispositivo ajudou a conter a disseminação da doença num território que, contando com 55400 habitantes, às 22 horas desta quinta-feira registava 343 casos de infeção e 13 óbitos pelo novo coronavírus.

Salvador Malheiro reconheceu que a quarentena geográfica está "a causar muitos problemas às pessoas e muita aflição às empresas", mas defendeu que é preciso "colocar a vida humana em primeiro lugar".

"Este é o desafio das nossas vidas. De nada vale uma economia sem pessoas. Depois cá estaremos para tentar reerguer a economia local e a comunidade", acrescentou.

A mensagem do autarca surge depois de um grupo de empresas representando 10 mil trabalhadores e um volume de negócios anual de 2,2 biliões de euros se ter manifestado contra um cerco que não viabilizasse a reativação da atividade industrial local.

O prazo de prolongamento da quarentena geográfica de Ovar coincide com o novo calendário do estado de emergência nacional, que a Assembleia da República decidiu prorrogar até 17 de abril, aprovando o decreto do presidente da República para combater a pandemia da Covid-19.

O decreto do Governo que regulamenta a prorrogação do estado de emergência por mais 15 dias em Portugal proíbe deslocações para fora do concelho de residência no período da Páscoa, entre 9 e 13 de abril.

Salvador Malheiro disse rever-se "completamente" nessa imposição, por considerar que "é, de facto, necessário adotar medidas muito arrojadas para tentar vencer esta crise, que está longe de estar controlada".

Quanto à "insatisfação de muitos", o autarca justificou: "Tenho esperança de que este esforço, que em Ovar é maior do que nos outros concelhos, nos permita sair mais cedo desta crise, reerguer a nossa economia mais depressa e assim ajudar o país".