Ovar

Empresa vai parar por não poder cortar pinhal em Ovar

Empresa vai parar por não poder cortar pinhal em Ovar

Adquiriu 300 mil euros em madeira mas o Ministério suspendeu operação após contestação de vários setores.

Uma empresa que adquiriu 300 mil euros em madeira do pinhal de Ovar e que esta semana ficou impedida de a cortar disse ontem estar prestes a ficar sem material e a parar a atividade de 70 trabalhadores. A situação resulta do facto de o Ministério do Ambiente ter decidido, na terça-feira, suspender por um período de 30 dias todas as operações relativas ao plano de gestão do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, para revisão de um processo em que resinagem e corte massivo de árvores são apenas alguns dos aspetos contestados por população, partidos políticos e associações ambientalistas.

"Em setembro de 2021 comprámos dois lotes no Perímetro Florestal de Ovar em hasta pública, o contrato foi assinado pelo secretário de Estado da Conservação da Natureza, pagámos em quatro tranches os 300 mil euros sem falhar um único dia e esta terça-feira, na data programada para começarmos a cortar a madeira, mandam-nos parar tudo quando já tínhamos os homens e as máquinas no terreno", disse esta quinta-feira à Lusa João Pedro Soares, diretor da serração Intrame - Salvador Soares & Cia. Lda..

Referindo que em causa está uma empresa familiar cuja atividade vai já na terceira geração e "sempre envolveu corte de pinhal em Ovar", o mesmo responsável afirma que a serração não tem disponibilidade de tesouraria para adquirir madeira de substituição no imediato e, nesse contexto, antecipou: "Só temos material para mais quatro dias de trabalho e depois vamos ficar com 70 pessoas paradas e mandar o pessoal para casa".

O diretor admitiu que as entidades responsáveis pela gestão do pinhal de Ovar "não têm sabido explicar porque é que não há mal nenhum no que lá se está a fazer", mas realçou: "Trezentos mil euros é uma verba muito grande para uma empresa pequena e ninguém está a pensar na nossa sobrevivência, porque nem nos deixam cortar a madeira nem nos devolvem o dinheiro para irmos comprá-la a outro lado e continuar com a nossa vida".

Embora prefira receber a matéria-prima a ser ressarcido do dinheiro, o madeireiro avisa que, caso seja a segunda opção a verificar-se, a empresa não prescindirá "dos juros e da indemnização" que lhe cabem pelo prejuízo causado.

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