Restrições

Fim da cerca em Ovar. "Se a situação fosse prolongada, as pessoas rebentavam"

Fim da cerca em Ovar. "Se a situação fosse prolongada, as pessoas rebentavam"

Levantada cerca sanitária em Ovar, que fica agora com as mesmas restrições do resto do país. Há a hipótese de manter ainda algumas medidas de exceção.

"Estamos todos cansados, massacrados. Se a situação fosse prolongada por mais 15 dias, as pessoas rebentavam com estas fronteiras que nos impuseram". Com a população prestes a dar um grito de revolta coletivo, o Governo decidiu, quinta-feira, terminar com o estado de calamidade imposto ao longo de um mês em Ovar.

O desabafo pertence a Fernanda Castro, habitante de Esmoriz, mas reflete o sentimento generalizado no concelho vareiro.

Com as fronteiras vigiadas dia e noite por dezenas de elementos da PSP e GNR, diz, "vivemos num clima de medo. Quase nos faziam sentir culpados de alguma coisa que estava a acontecer", afirmou Fernanda Castro. A moradora lembrou que, nas últimas duas semanas, foram abertas exceções para as indústrias. "Como é que nos iam continuar a pedir para não sair, quando começaram a vir pessoas de outros concelhos trabalhar para as empresas de Ovar?".

Antes das queixas generalizadas da população, já os empresários tinham denunciado os prejuízos elevados com o encerramento das empresas. Argumentos ouvidos pelo Governo, que permitiu o regresso à laboração da indústria, mesmo com o prolongamento por mais 15 dias da cerca sanitária. Agora, com o fim anunciado do estado de calamidade, declarado pela primeira vez a 17 de março, aliviam-se as medidas restritivas sobre a economia e liberdade de movimentos da população. Mas o "pesadelo" não terminou: Ovar passa a viver com as mesmas restrições do país. E ontem não estava afastada a possibilidade de o Governo deixar ainda em vigor algumas medidas restritivas de exceção para este concelho.

A decisão de terminar com o estado de calamidade foi tomada após indicação das autoridades de saúde locais e regionais e tendo em conta a preparação do município para um eventual aumento do número de casos. Um dos indicadores mais importantes para a decisão prendeu-se com a diminuição da percentagem de casos positivos por cada cem testes. Na primeira semana, foram 45%, na segunda 25%, na terceira entre 15% a 20% e inferior a 10% na quarta. Contudo, o presidente da Câmara, Salvador Malheiro, alerta: "Temos todos que nos comportar, no futuro, como infetados ou potenciais infetados, cumprindo escrupulosamente as regras e promovendo o isolamento social".

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Visita do diretor da PSP

O diretor nacional da PSP, Magina da Silva, visitou ontem os polícias que garantiram a cerca sanitária. Depois de elogiar o esforço de todos os agentes que permaneceram dias consecutivos de serviço - 27 viveram as últimas semanas num hotel - também saudou, por videochamada, os sete agentes que estão em casa a receber tratamento à infeção por Covid-19.

Que balanço faz do estado de calamidade?

"Se não tivéssemos feito nada, hoje teríamos 10 vezes mais infetados e 10 vezes mais mortos. Seria uma situação catastrófica".

É a altura ideal para acabar com o cerco sanitário?

"Com a melhoria dos resultados, o cerco teria que ser levantado agora. Vai ajudar a melhorar a nossa saúde mental e a nossa economia".

Não teme uma subida significativa no número de infetados?

"No caso de haver algum novo foco, temos agora uma máquina de saúde instalada em Ovar que nos dá alguma proteção e segurança para evitar qualquer colapso nas infraestruturas de saúde".

O Estado prestou o devido apoio?

"Não podíamos estar à espera dos outros, ou que o Governo fosse resolver todas as situações. Tivemos que investir na compra de equipamentos individuais, muitos testes e no nosso hospital. É um momento de união. Exige-se a cada um apelo ao sentido patriótico".

As finanças da Câmara ficaram afetadas?

"Temos uma situação financeira estável. Investimos mais de 200 mil euros no combate ao Covid-19. Um investimento mais do que justificado. Vamos se, no futuro, teremos possibilidade de ser ressarcidos. Se isso não acontecer, teremos capacidade para aguentar".

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