Covid-19

Apelo desesperado em lar de Ovar: "Venham ajudar-nos antes que haja uma desgraça"

Apelo desesperado em lar de Ovar: "Venham ajudar-nos antes que haja uma desgraça"

"Venham ajudar-nos antes que haja uma desgraça. Precisamos de evacuar os idosos com Covid-19".

O apelo é do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ovar, Álvaro Silva. Após a morte de um idoso de 97 anos no lar, já 27 outros utentes têm diagnóstico de Covid-19 confirmado. A maioria mantém-se no lar para onde foi destacado apenas um médico de medicina geral e familiar para prestar apoio.

O lar em Ovar, que conta 120 utentes, registou a primeira morte por Covid-19 na semana passada, o que levou a que todos os utentes e funcionários fossem testados. Há 27 casos confirmados em idosos, 19 mantêm-se no lar e oito estão hospitalizados. Na instituição, foram separados os casos já positivos, os sintomáticos e os assintomáticos.

Mas o provedor apela: "Alguns dos que estão no lar não estão estáveis. Somos um lar, não somos um hospital. Este médico enviado pela autoridade de saúde pública não tem meios auxiliares de diagnóstico, não tem apoio a não ser da nossa equipa de enfermagem que também tem de estar a cuidar dos utentes que não têm sintomas Eles precisam de cuidados hospitalares. É uma dor na alma ver alguns estão a piorar e não podermos fazer nada", desabafa. O provedor garante que já pediu ajuda à delegada de saúde e à Autarquia, e que até agora não tem respostas.

Uma utente que estava no hospital "foi mandada para o lar de volta com uma pneumonia", contou Álvaro Silva. "Isto não é humano", diz desesperado. Paralelamente, o provedor queixa-se da demora dos testes. "Faz exatamente hoje uma semana que começaram os testes à instituição. Neste momento, faltam-nos os resultados de 22 idosos e 18 funcionários. Uma semana inteira para virem os resultados? Com que base fazemos a separação dos utentes no lar?", questiona. "Fazemos o impossível, mas os lares não são hospitais. Temos oito enfermeiras fechadas no lar há 15 dias, estão completamente arrasadas".

O provedor da instituição teme o pior: "De um momento para o outro, temos mais mortes. Queremos que os hospitais aceitem os idosos com Covid-19. Se há camas disponíveis no privado, por que não os levam para lá? Terão uma assistência que nunca poderemos dar". Álvaro Silva questiona ainda a utilidade do hospital de campanha instalado na Arena Dolce Vita do Município de Ovar, cuja cerca sanitária foi ontem estendida por mais 15 dias. "Esse hospital terá alguns meios de diagnóstico, mas não está a funcionar".

Aliás, Salvador Malheiro, presidente da Câmara, fez uma publicação no Facebook a dar conta que o hospital já está montado, mas que "agora falta a saúde". "Os médicos, os enfermeiros, os equipamentos clínicos. Até ao momento: Nada. Espero que o Ministério da Saúde saiba honrar a sua palavra", escreveu o autarca.

A situação de desespero vive-se na instituição onde há 15 dias, 15 funcionários e oito enfermeiras estavam a viver, sacrificando idas a casa, para não pôr em risco a saúde dos idosos. A medida não conseguiu evitar este cenário.

Num outro lar da Santa Casa, também em Ovar, que conta 45 utentes, a estratégia resultou. "Vamos hoje trocar as equipas e conseguimos com que a equipa que vai entrar seja testada antes. A nossa atitude voluntariosa e corajosa valeu a pena ali", conclui o provedor da Misericórdia.

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