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Canedo manifestou-se contra aterro sanitário

Canedo manifestou-se contra aterro sanitário

Populares da freguesia de Canedo, concelho da Feira, manifestaram-se, este sábado, nas ruas em protesto contra o aterro sanitário que terá aí a sua localização mais provável, depois de esgotada a capacidade do de Sermonde, em Gaia.

Joana Pedrosa é a organizadora da iniciativa e, conduzindo com recurso a um megafone os cerca de 50 manifestantes que aderiram ao protesto, declarou à agência Lusa que essa participação modesta se deve ao facto de que as pessoas "sentem uma desmotivação muito grande em relação a um processo que está viciado desde o início".

"As pessoas acham que, há dois anos, a Junta de Freguesia que estava no poder não zelou pelos interesses da terra e agora já está tudo decidido, porque notam muita vontade política de que o aterro aqui fique instalado", afirma a jovem. "Mas esta opção é errada por uma série de questões ambientais, éticas e morais e nós vamos alertar a Agência Portuguesa do Ambiente para esses erros".

A freguesia de Pigeiros era outra opção considerada pela empresa Suldouro, responsável pela gestão de resíduos sólidos urbanos na Feira e em Gaia, mas estudos técnicos demonstraram que Canedo seria a opção "mais viável" e, após um período de discussão pública em que os manifestantes dizem ter exposto a sua posição, a Agência Portuguesa do Ambiente deverá nas próximas semanas emitir a respectiva Declaração de Impacte Ambiental.

Joana Pedrosa defende, contudo, que "a opção por Canedo é errada, por questões não só ambientais, mas também éticas e morais", e explica: "Os estudos não tiveram em linha de conta que o local onde pretendem instalar o aterro [no Lugar de Sobreda] está demasiado próximo de linhas de alta tensão, de uma estação de tratamento de águas residuais, de uma antena de telecomunicações e de uma fundição de metais".

Recordando que "há 20 e tal anos existiam na vila três lixeiras a céu aberto a funcionarem em simultâneo" (só uma das quais em regime legal), a organizadora do protesto acrescenta que "outro perigo" é a proximidade entre o novo aterro e esses depósitos de lixo antigos, "que estão selados, mas não sanados".

Quanto às outras questões levantadas pela eventual construção do novo aterro da Suldouro em Canedo, Joana Pedrosa refere que em causa está sobretudo "justiça".

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"Porque é que tem que ser sempre Canedo a receber o lixo dos outros?", questiona essa responsável. "Se com as outras três lixeiras recebemos cerca de três milhões de toneladas de resíduos, não fizemos já a nossa parte?".

"Eles que dêem a vez a outros", acrescenta um dos manifestantes. "Além do mais, se só 25% do lixo que vai entrar no aterro é do concelho da Feira, porque é que não o constroem antes em Gaia, que é quem faz os outros 75%?".

Propondo-se reunir com a Agência Portuguesa do Ambiente antes de emitida a Declaração de Impacte Ambiental, Joana Pedrosa diz que "a esperança da população é que essa entidade reconheça estes factores todos e perceba que Canedo não é a melhor solução para o problema".

O novo aterro sanitário em projecto pela Suldouro visa substituir o que opera actualmente em Sermonde, onde a sua capacidade instalada deverá esgotar no final de 2012. Em declarações à Lusa no final de Agosto, o presidente do conselho de administração da empresa, Nuno Pinto, afirmou que, "seja para Pigeiros ou Canedo, como vier a ser decidido, o concurso púbico [para construção da estrutura] é para arrancar até ao final deste ano".

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