Santa Maria da Feira

Caminhadas solidárias para juntar portugueses no apoio a Cristina Tavares

Caminhadas solidárias para juntar portugueses no apoio a Cristina Tavares

Vão ser promovidas caminhadas solidárias para com Cristina Tavares, a trabalhadora despedida pela corticeira Fernando Couto-Cortiças, SA de Paços de Brandão, Feira, depois de denúncias de assédio moral.

O secretário Geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, diz que "abriu-se uma segunda fase de confronto com a corticeira" e anuncia recurso à via judicial.

"Vamos para a rua denunciar publicamente o caso da Cristina. Com o apoio dos sindicatos e gente anónima vamos colocar centenas ou milhares de pessoas na rua", garantiu, ontem, em conferência de Imprensa, o coordenador do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, Alírio Martins.

Anunciou para o próximo sábado, 19 de janeiro, a primeira "caminhada solidária" com saída do Parque de Santa Maria de Lamas em direção à sede da Associação Portuguesa de Cortiça, APCOR. O horário está ainda por definir.

"Esta empresa [Fernando Couto-Cortiças, SA] está a ter uma atitude criminosa e a APCOR está a pactuar. Quem cala consente", justificou.

Alírio Martins adianta que, nesse sábado, serão anunciadas outras ações idênticas a realizar noutros locais do país.

"A Cristina infelizmente está despedida. Do ponto de vista sindical e jurídico vamos defende-la", porque, "se há alguém que está em incumprimento com a justiça é a empresa", disse.

O responsável pelo Sindicato informou, ainda, que na próxima segunda-feira será ouvido no Tribunal da Feira, devido à queixa que tinha sido apresentada por esta estrutura sindical ao Ministério Público.

"A Cristina é uma trabalhadora vítima de assédio e de segundo despedimento ilícito. Merece a solidariedade de todos os trabalhadores portugueses", adiantou, por seu lado, Arménio Carlos afirmando que, "é uma luta que não vai parar, enquanto ela não for reintegrada".

O secretário-geral apela à população para se juntar à marcha de solidariedade, "contra estas medidas injustas".

Anunciou que o Sindicato "está já a trabalhar num processo por danos morais e reclamar uma indemnização por aquilo que a Cristina está a sofrer".

"Não foi a Cristina que difamou a empresa. Foi a Autoridade para as Condições do Trabalho que confirmou que a trabalhadora estava a ser vítima de assédio", "não podemos permitir patrões do tempo da outra senhora a comportarem-se desta forma".

Arménio Carlos diz estar disposto a "negociar" com a empresa, "se ela for reintegrada imediatamente". Apelou à "celeridade aos tribunais para que a justiça seja feita em tempo oportuno".

Já Cristina Tavares afirma estar em casa "a viver um dia de cada vez". "Não vou desistir, porque quero o meu posto de trabalho". "Não me meto com ninguém estou lá apenas para trabalhar".

Em comunicado a corticeira diz que a conferência realizada no Sindicato dos Operários Corticeiros é, "um linchamento público da empresa, sem defesa, numa atitude de pré-julgamento unilateral de um caso que ainda vai ser julgado pelo Tribunal, onde deve ser tratado".