Santa Maria da Feira

Corticeira multada pela ACT em 30 mil euros prepara despedimento de funcionária

Corticeira multada pela ACT em 30 mil euros prepara despedimento de funcionária

A corticeira Fernando Couto-Cortiças, SA de Paços de Brandão, Feira, está a preparar o despedimento por justa causa de Cristina Tavares, a funcionária que denunciou alegados "castigos".

A decisão da empresa surge dois dias depois de ter sido multada pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) em 31 mil euros por assédio moral à trabalhadora.

De acordo com comunicado do Sindicato do Operários Corticeiros do Norte, a entidade patronal "comunicou à trabalhadora que a mesma se encontra suspensa preventivamente para a organização de processo disciplinar tendente ao seu despedimento com justa causa".

Contactado pelo JN, o advogado Luís Castro, que vinha defendendo a empresa, recusou-se a fazer qualquer comentário. Contudo, à Lusa, o advogado Nuno Cáceres apresentou-se como o novo defensor da corticeira e explicou que a suspensão da operária visa permitir "a condução de um inquérito sobre uma série de factos fabricados que ela tem vindo a propalar publicamente". Considerou também que "a trabalhadora continuará a ser remunerada enquanto suspensa" e admitiu que é do interesse da empresa "concluir o assunto o quanto antes". A expectativa de Nuno Cáceres é que "sejam desmontadas uma série de mentiras que a funcionária tem andado a disseminar e que vêm prejudicando o ambiente de trabalho e a reputação da empresa, que até aqui, é certo, não tem sabido defender-se e agora decidiu que é tempo de adotar outra postura, até para poder recorrer devidamente da coima da ACT"

Cristina Tavares foi mandada para casa onde aguarda o desenrolar do processo instaurado pela empresa.

A trabalhadora, que foi readmitida na empresa no início do ano por ordem do Tribunal da Relação do Porto, depois de ter sido despedida, diz que passou os primeiros meses a fazer e a desfazer a mesma palete várias vezes ao dia, como "castigo".

Com o caso tornado público, afirmou ao JN, esta tarefa foi alterada. Contudo, "os castigos continuam, mas de outra forma", explicou.