Santa Maria da Feira

Diocese do Porto insurge-se contra laboração contínua na corticeira Pietec

Diocese do Porto insurge-se contra laboração contínua na corticeira Pietec

A Diocese do Porto veio a público mostrar a sua solidariedade para com os trabalhadores da corticeira Pietec, em Fiães, Feira, que contestam a laboração contínua que a empresa pretende implementar, depois do anúncio do despedimento de mais de 30 trabalhadores.

Numa mensagem divulgada pelo site diocesano, é dito que, "há por aí muita exploração encapotada sob a forma de «produtividade» e «competitividade». E há que denunciá-la. Profeticamente".

Sem referir diretamente o nome da empresa, a mensagem diz que há um exemplo na área da Diocese, "instalou-se uma multinacional que adquiriu uma fábrica que já estava em laboração há muitos anos. Esta fábrica (...) não conhece as pessoas nem com elas se importa, pretende passar ao sistema de laboração contínua, por turnos, incluindo o sábado e o domingo. Durante todo o dia e toda a noite".

Concluindo que "não precisa minimamente disso, pois dedica-se a um setor normalíssimo e sem especiais exigências técnicas".

Contudo, diz a mensagem, "a laboração contínua é mais lucrativa".

É lembrado que a multinacional já conseguiu autorização dos Ministérios da Economia e do Trabalho. "Vale-se da força que lhe advém do capital para espezinhar a dignidade humana e os direitos sociais. Tudo de maneira muito oficial, muito legal...", é dito.

"Não! O lucro não é tudo", considera o bispo D. Manuel Linda, "particularmente quando não respeita o justo encontro e convívio familiar, (...) quando coloca a ganância da entidade patronal acima da justa qualidade de vida dos trabalhadores" e, "quando viola grosseiramente o domingo e seu justo descanso, marco insubstituível da religião para o avanço civilizacional".

A Pietec tem justificado a necessidade da laboração contínua com a decisão de descontinuar a produção de rolhas técnicas tradicionais que obriga a empresa, "à realização de um processo de reestruturação".

Acresce, ainda, a consequente eliminação dos postos de trabalho afetos aos sectores de produção de rolhas técnicas tradicionais e "a métodos de produção mais obsoletos, que serão modernizados".

Questionada pelo JN sobre a mensagem da Diocese, a Pietec afirma: "Este processo tem sido realizado com transparência e respeito por todas as pessoas envolvidas, salvaguardando a defesa dos seus direitos e interesses, no estrito cumprimento da lei."

ver mais vídeos