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Identificados 48 sem-abrigo em São João da Madeira

Identificados 48 sem-abrigo em São João da Madeira

Foram identificadas 48 pessoas em situação de sem-abrigo em São João da Madeira, sendo que apenas nove ainda se mantêm à margem da adesão plena aos apoios disponibilizados.

Os números agora conhecidos são parte do trabalho já desenvolvido pelo Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) do concelho que, na prática, funciona desde março de 2021, com coordenação da Santa Casa da Misericórdia e que conta com outras entidades, entre as quais a Associação de Jovens Ecos Urbanos, do Instituto da Segurança Social.

As 48 situações identificadas enquadram-se na caracterização de sem-abrigo, sejam pessoas sem teto - a viver no espaço público, em casas abandonadas, em viaturas - ou que se encontram em alojamento temporário por não ter casa.

Ainda de acordo com o estudo, há casos que duraram menos de 30 dias, mas também há nove pessoas que são sem-abrigo há mais de 3 anos. São maioritariamente homens com mais de 40 anos, solteiros ou divorciados, com escolaridade até ao 2.º ciclo, sem fonte de rendimento. Registam-se comportamentos aditivos e dependências, além de desestruturação familiar.

Estas pessoas têm acesso já definido a várias ajudas, tendo sido referenciado o programa de apoio a famílias da Câmara Municipal, os apoios da Segurança Social e outras entidades com intervenção nesta área, a cantina, o balneário e a lavandaria social, disponibilizados pela Misericórdia, além de ajudas informais.

Destaca-se que 13 das pessoas referenciadas saíram da situação em que se encontravam, estando a pagar autonomamente uma habitação ou um quarto de pensão. Duas foram alojadas em habitação social e quatro em apartamento de autonomização da Câmara Municipal/Santa Casa da Misericórdia.

Há, ainda, o acompanhamento ao nível da saúde, encaminhamento para Rendimento Social de Inserção e integração de algumas pessoas na família.

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Para o presidente da Câmara Municipal, Jorge Sequeira, este é "um momento muito importante, porque institucionalizamos uma resposta social de grande relevância". "Este trabalho permite dar pistas para compreendermos verdadeiramente a natureza da questão social que aqui está em causa", considerou.

"Estamos a falar de pessoas profundamente vulneráveis, muitas delas com problemas de saúde mental, com situações de desemprego de longa duração, que vivem em isolamento, sem um núcleo familiar, social ou profissional. (...) São situações verdadeiramente dramáticas, que exigem uma resposta individualizada", adiantou.

O autarca diz ser "absolutamente necessário" que, "para cada uma destas pessoas, seja construído um plano de recuperação, de autonomização". Já o Provedor da Santa Casa, Pais Vieira, considerou o NPISA "muito útil para tentar minorar as dificuldades de algumas pessoas" no concelho. "Temos obrigação de tentar fazer sempre o nosso melhor, de tentar ajudar aqueles que se deixam ajudar. É esse o nosso compromisso."

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