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Vivem em ruas sem nome e dizem ser "terra de ninguém"

Vivem em ruas sem nome e dizem ser "terra de ninguém"

Moradores de urbanização que fica no cruzamento de três concelhos usam moradas diferentes para serviços.

Quando, há três anos, Alexandre Santos foi viver para a Urbanização Quinta Senhora da Luz, passou seis meses à espera de ligação de gás. Tudo porque ali as ruas não têm nome. No contrato de água, tem morada em Arrifana, Santa Maria da Feira, e no contrato de telecomunicações, a morada é Cucujães, Oliveira de Azeméis, mas Alexandre vive afinal em S. João da Madeira, na fronteira entre os três concelhos. A Câmara está a criar uma comissão de toponímia para fazer levantamento de todas as ruas sem nome na cidade.

A urbanização desenha-se em torno de casas grandes e vistosas. Ali, há números de porta e um código postal que serve para todas as ruas da urbanização. Nenhuma tem nome. Para fazer encomendas, Alexandre dá a morada do trabalho. O correio, conta, acumula semanas de correspondência, "como a morada não existe, não são obrigados a entregar". Quando recebe visitas, dá o nome da rua de trás e quando ali foi assaltado acabou num impasse entre PSP e GNR. "Chamei a PSP e a primeira coisa que fizeram foi chamar a GNR da Feira. Nem eles sabem o que é. A meio perceberam que isto é S. João da Madeira e voltei a ter que dar declarações".